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LIVROS
Um olhar na Rússia dos anos 90

Nascido em 62, Victor Pelevin é considerado um dos maiores escritores russos da atualidade. Seu livro de contos The Blue Lantern recebeu em 93 o Little Booker Prize, o mais importante do seu país. Seu romance Amon Ra foi escolhido um dos melhores de 96, por publicações como Newsday e Spin. A Time o classificou como um “Nabokov psicodélico para o cyberage”. E a Imprensa o tem comparado a Calvino, Bulgakov, Gobol e Joseph Heller.

Até então pouco conhecido entre o público brasileiro, surge agora a chance de entrarmos em contato com o seu trabalho, via o lançamento de A Vida dos Insetos (Editora Rocco, R$ 25,00), que revela a Rússia pós-Glasnot dos anos 90. Em 15 contos sutilmente interligados, ele retrata os russos como homens reduzidos a insetos, cujo destino final é o calor de uma lâmpada ou o papel pega-moscas. Com furiosa imaginação e muito humor, consegue misturar anarquicamente elementos humanos e entomológicos, criando um universo que resume os sentimentos de frustração e desespero dos russos.

Na primeira história, os russos Artur e Arnald recepcionam o americano Sam Sacker em um balneário decadente do Mar Negro e saem para beber. Sangue. Eles são mosquitos. Em outro, a jovem formiga Natacha resolve que vai deixar o formigueiro e se tornar uma mosca, para o desespero de sua mãe que tanto se sacrificou. Noutra, dois vaga-lumes discutem o sentido da vida, enquanto tentam escapar dos dentes de um morcego. E, finalmente, dois drogados descobrem que não passam de parasitas de maconha e morrem carburados dentro de um baseado.

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Jornal do Commercio
Recife - 11.07.2000
Terça-feira