
LIVROS II
Estréia
tardia mas benvinda O médico Fernando Marcelo Medeiros deixou
de lado 21 anos de psiquiatria atendia pacientes
crônicos em hospital do Rio de Janeiro quando se
viu forçado a assumir um negócio da família, que o
trouxe de volta ao Recife. Foi uma mudança radical e
angustiante. Em compensação, ele faz hoje sua estréia
tardia, mas benvinda, na literatura, com o lançamento de
Nem alvo nem avesso, às 19h, na sede das Edições
Bagaço.
Durante o tempo em que
esteve dividido entre as duas cidades, Fernando Marcelo
cultivou o hábito de enviar cartões postais a amigos.
Nem sempre os textos, eram escritos para o
destinatário. Em sua maioria, eram poemas e pensamentos
que o autor inventava, como gosta de dizer.
Há cinco anos, durante uma festa de aniversário, os
amigos propuseram que ele reunisse seus escritos e desse
forma de livro.
Alguns versos e poemas
estão da mesma forma que enviados aos destinatários.
Outros, foram retrabalhados pelo poeta. Escrevo
muito pouco. Quando invento algo enorme, vou tirando
todos os excessos. Há amigos que ao lerem meus poemas
depois de elaborados acham que sou egoísta por escrever
tão pouco, revela.
Os poemas do livro dão
margem para o leitor refletir. É como se do outro lado
da escrita, Fernando Marcelo aguardasse, pelo correio,
uma resposta. Quero o leitor como cúmplice. Embora
tenha um teor por vezes confessional, Nem alvo nem avesso
é mais um livro de contas cotidianas, de escolhas, de
quem conhece por dentro a solidão dos boêmios, que é
quando mais se aproxima de seus sentimentos.
Lançamento de Nem
Alvo nem avesso, de Fernando Marcelo Medeiros. Hoje, 19h.
Edições Bagaço, Rua dos Arcos, 150, Poço da Panela.
Preço do exemplar: R$ 15
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