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DISCOS II
Morte misteriosa combina com sua vida conturbada

Quando Eric Clapton foi alçado à condição de “Deus da Guitarra”, em 65, em Londres, Ramblin on my mind, um dos clássicos de Robert Johnson, fazia parte do seu repertório. Mais tarde Cross road blues acabaria como uma de suas assinaturas musicais. Os Rolling Stones, em 69, fizeram uma versão antológica de Love in Vain. Muita gente o regravou: Allman Brothers e John Hammond (filho do produtor), um grande blueseiro branco, cantaram vários clássicos de Johnson, que nunca mais saiu da moda, tanto que alcançou até a geração roqueira dos 90, como o Red Hot Chili Peppers.

Farrista e mulherengo, sua morte continua misteriosa até hoje. Teria sido envenado por uma de suas muitas namoradas, esfaqueado por um marido ciumento ou levado pelo demo em pessoa. O atestado de óbito, encontrado em 1968, não esclarece muita coisa sobre como Robert Johnson morreu. Apenas desvendou que o blueseiro está enterrado em Morgan City, no Mississipi. Em uma das suas músicas, ele lamenta não ter controle sobre o dia do julgamento final (If I had possession over judgment day). Se tivesse, com certeza teria driblado o demônio, com quem fez o suposto pacto, vivido por mais tempo e gozado merecidas fama e fortuna, a exemplo do que aconteceu com alguns de seus contemporâneos, Muddy Waters, Son House ou Howlin Wolf.

Serviço

King Of The Delta Blues Singers, com Robert Johnson, Columbia/Sony. Preço médio: R$ 14,90

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Jornal do Commercio
Recife - 11.07.2000
Terça-feira