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REGULAMENTAÇÃO II
Apenas 15 comerciantes estão legalizados

O comércio de peças usadas pode ser dividido em dois grupos: os grandes ferros-velhos, que compram carros sinistrados de companhias seguradoras, e os pequenos negócios, que sobrevivem comprando e vendendo peças de particulares. São exatamente os grandes comerciantes que já funcionavam regularizados ou fazem parte dos 15 donos de ferros-velhos que já mandaram a documentação para a Delegacia de Roubos e Furtos de Veículos.

O comerciante Edson Carneiro, dono do ferro-velho Vitória, localizado no final da Avenida Abdias de Carvalho, por exemplo, já trabalha com toda a documentação exigida, inclusive fornecendo nota fiscal para os compradores das peças que vende. Carneiro adquire carros sinistrados de uma companhia de Seguros e consegue obter um bom lucro vendendo o material aos poucos.

“É muito importante que o governo passe a fiscalizar a nossa atividade. Para quem trabalha dentro da legalidade essa medida não assusta de forma nenhuma. O comércio de peças usadas já foi mais lucrativo, mas é perfeitamente possível se manter no mercado trabalhando com material de procedência e oferecendo a nota fiscal ao cliente”, garantiu Edson Carneiro.

O processo de legalização não é tão comemorado por um dos vizinhos de Edson Carneiro que mantém um ferro-velho mais humilde. “Para gente que compra carro velho de particular, dar entrada nessa multidão de papel não é vantagem, não. Só vou fazer porque é obrigado”, comentou um comerciante, que preferiu não se identificar.

Para os consumidores, comprar em ferros-velhos é uma alternativa válida para fugir dos preços salgados das lojas autorizadas. O comerciante José Irineu sempre recorre às lojas de peças usadas quando precisa consertar o carro. “Estou procurando um retrovisor de Gol. Aqui deve sair por uns R$ 30, R$ 35. Metade do preço da loja. Aí vale a pena, mas motor ou caixa de marcha só confio comprar numa autorizada”, atestou o comerciante.

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Jornal do Commercio
Recife - 11.07.2000
Terça-feira