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HOMICÍDIO Assassinada rainha do Nação Elefante por Bruno Albertim A cultura popular de Pernambuco iniciou esta semana em luto. Domingo, às 23h22, segundo registro policial, sete tiros de pistola calaram Rosinete Rodrigues da Silva, a rainha do lendário Maracatu Nação Elefante. O crime aconteceu na sede da agremiação, também sua residência, na Bomba do Hemetério, na Zona Norte do Recife. O autor dos disparos que encerraram os 39 anos de vida de Rosinete, todos passados dentro da entidade que se tornou referência na história do Carnaval do Estado, ainda é desconhecido. Com a morte da rainha e presidente do grupo, morre também o próprio Nação Elefante. Ainda ontem, os familiares de Rosinete anunciaram que irão entregar o patrimônio do Maracatu ao Museu do Homem do Nordeste. Não temos como manter o Maracatu. Ela era a única com garra para isso, explica a irmã Reginalda dos Santos. O assassino foragido matou também outra pessoa. O corpo do comerciante Antônio Marcos Pereira da Silva, 27, foi encontrado com cinco tiros ao lado da rainha. Eram amigos. A delegada especializada em homicídios, Eliane Caldas, investiga a hipótese de vingança. Temos um suspeito. Antes de ser morta em sua casa, Rosinete tinha saído da residência da irmã, Reginalda, localizada no Alto do Pascoal. Caminhava na companhia do homem que também seria morto e de um percussionista do Maracatu, identificado apenas como Menininho. Não deve ter mais de 19 anos e, segundo familiares de Rosinete, estava armado. Foragido desde então, é o principal suspeito. Sabemos que havia mais duas pessoas na sede do Maracatu quando se deu o crime. Estão desaparecidas, diz a delegada. Yalorixá, ou seja, dona de um dos títulos mais altos na hierarquia do Candomblé, a popular mãe-de-santo, Rosinete foi enterrada ontem às 16h, no Cemitério de Santo Amaro. Dois ônibus lotados saíram da sede da agremiação. Foram se despedir da rainha. Era de uma total alegria, chorava a amiga de infância Irani de Souza, 42. Dois tambores, a bandeira do Nação Elefante e cânticos nagô embalaram a despedida à filha de Xangô, um dos mais populares orixás do Nordeste. Rosinete Rodrigues da Silva era herdeira de uma das principais dinastias da cultura popular de Pernambuco. Como rainha do Maracatu Nação Elefante, estava ocupando um posto que se tornou célebre sob o comando da lendária Maria Júlia do Nascimento ou, simplesmente, Dona Santa. Com a morte de Rosinete, o Nação Elefante acaba por falta de alguém que assuma a coroa. Nem eu nem outra de nossas três irmãs temos ligação suficiente com o Maracatu para continuá-lo, diz a irmã Reginalda. A avó delas, Maria Madalena dos Santos, aos 99 anos, não tem mais condições de reassumir a coroa que passou, ano passado, à Rosinete. Ela esteve no Nação Elefante após a morte de Dona Santa, ocorrida em 1962. O Maracatu foi fundado em novembro de 1800. Agora, sem rainha, a agremiação mais antiga do Brasil não chegará ao seu centenário. |
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