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NARCOTRÁFICO Testemunha detalha rota internacional As CPIs do Narcotráfico de Pernambuco e de São Paulo começaram a trabalhar juntas, no sentido de identificar rotas e organizações do tráfico internacional de cocaína nos dois Estados. Depois de depor, na última semana, na CPI pernambucana, o ex-integrante de uma organização que faz a conexão da droga entre São Paulo e Joannesburgo, na África do Sul, e que recebeu a alcunha de Pinheiro, participou de uma acareação com o também membro do grupo, de codinome Oliveira na sexta-feira passada na CPI paulista. Oliveira foi recrutado pelo próprio Pinheiro, no Recife, e ambos criados no Alto José do Pinho, em Casa Amarela. Ontem, a CPI e Pinheiro revelaram detalhes da conexão do tráfico internacional, em entrevista no Recife. Recifense de nascimento, 30 anos, Pinheiro revelou que o comando da organização, em São Paulo, está a cargo de um nigeriano de nome Azi e de uma brasileira que se identifica como Claúdia Regina Dalton Moreira. Segundo Pinheiro, que está sendo incluído no programa de proteção a testemunhas, Pernambuco não faz parte da rota dessa organização. De acordo com a testemunha, de Johannesburgo a cocaína segue para a Europa, passando por Maputo (Moçambique) e entrando por Madri e Lisboa. Pinheiro revelou que entrou na conexão através de um holandês de nome Willie, apresentado por uma amiga e garota de programa, entre 97 e 98. Dias depois, Willie me chamou para ir buscar US$ 75 mil em Johnnesburgo, que serveriam para libertar essa nossa amiga,que estaria presa em Lima (Peru). Fui e ganhei US$ 5 mil, relatou. Na volta, a organização pediu para que Pinheiro recrutasse outra pessoa. Aqui, no Recife, fazendo cooper no Parque da Jaqueira, teria conhecido Oliveira. Ele levou 30 quilos de coca e recebeu US$ 10 mil. Na segunda viagem, foi preso ao tentar embarcar para o Brasil, disse. Oliveira teria saído através do cabeça da organização na África do Sul, que conheceu como Jabar e que comprou a sua liberdade. Ao retornar ao Brasil, Oliveira resolveu falar à CPI paulista e entregou Pinheiro, que estava no Recife e foi localizado pela Polícia Federal. Em São Paulo, Oliveira foi levado pela CPI a locais e a pontos de tráfico, para fazer reconhecimento, disse o deputado Sérgio Leite. Os depoimentos de ambos, em São Paulo, revelam um envolvimento de agentes federais e da Infraero. Eles são mulas e a organização não utiliza mulas mais que duas vezes, porque ficam marcados. Aí, ela descarta e até os entrega, esclarece Leite. Em média, um mula leva 25 quilos de coca para o exterior. |
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