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SEM-TERRA II
Trabalhador é colocado junto com criminosos

Aos 68 anos de idade, o agricultor Jaime do Carmo jamais havia entrado numa delegacia ou presídio. Na sexta-feira passada, entretanto, justamente no Dia Nacional do Basta! Eu Quero Paz, ele foi levado para uma cela do Aníbal Bruno. Naquele momento, seu Jaime, um dos mais velhos integrantes do acampamento do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), no Engenho Jaboatãozinho, em Moreno, viveu a pior experiência de sua vida. E sem ter praticado nenhum crime.

Nascido e criado na terra, o trabalhador e outros 16 homens, acusados de resistirem ao mandado de prisão, conheceram o inferno do setor de triagem do maior presídio do Estado, dividindo o mesmo espaço com criminosos. O agricultor, integrante do MST há seis meses, saiu de caminhão escoltado pela Polícia Militar, deixando no engenho a mulher, dois filhos e dois netos pequenos. “Eu estava conversando com outras pessoas quando a polícia disse que todo mundo estava preso. Queimaram tudo e destruíram todo o nosso trabalho no local onde eu vivi, casei e tive meus filhos. Mas Deus proverá e sabe o que faz”, declarou.

Apavorado com a cadeia, sentiu-se humilhado quando foi obrigado a entregar o boné do MST ainda na portaria. Embora não tenha sofrido agressões físicas, afirmou que carregará para sempre as marcas da prisão. Apesar de problemas com saúde, garantiu resistir e voltar para o engenho para trabalhar. “Eu vi a minha filha morrer em um acidente de carro e nem por isso desisti da vida”, afirmou, “Só não quero me acabar feito vassoura velha”.

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Jornal do Commercio
Recife - 11.07.2000
Terça-feira