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ASTRONOMIA
Brasil constrói telescópio de última geração no Chile

por Fabiane Cavalcanti
ENVIADA ESPECIAL

BRASÍLIA - Os buracos negros e o nascimento de estrelas poderão ser estudados com maior facilidade pelos astrônomos brasileiros a partir do final de 2001, quando entrará em operação um dos mais modernos telescópios do mundo, o Soar, do qual o Brasil é um dos donos. O equipamento está sendo construído, em parceria com os Estados Unidos, na montanha de Cerro Pacho, nos Andes chilenos. Além de incrementar a pesquisa astronômica brasileira, espera-se que o telescópio venha a ser um incentivo à criação de novos grupos de pesquisa na área. “O ideal é que cada universidade tenha o seu”, avaliou o astrofísico João Steiner, que fez conferência, ontem pela manhã, na 52ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). O encontro vai até sexta-feira na Universidade de Brasília (UnB).

Atualmente, existem sete cursos de doutorado e 11 de mestrado em astrofísica no País. “O telescópio é público. Qualquer instituição de pesquisa poderá usá-lo”, informou Steiner. Quando o telescópio estiver pronto, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) começará a receber projetos de pesquisa, que serão julgados de acordo com a excelência científica.

Como o telescópio vai fotografar, além da luz visível, a radiação infra-vermelha, seus dados poderão ser usados também por químicos, no estudo da composição das estrelas. O Soar (sigla em inglês para Observatório de Pesquisa Astrofísica do Sul) tem um espelho de 4,2 metros de diâmetro, quatro vezes o tamanho do maior telescópio existente no território nacional - o Observatório do Pico dos Dias, em Minas Gerais, cujo espelho tem 1,6 metro de diâmetro.

De acordo com Steiner, o Soar vai gerar imagens melhores até que as do telescópio espacial Hubble, que tem 2,4 metros de diâmetro. Segundo o astrofísico, o Brasil investiu US$ 12 milhões no projeto Soar, gerido, do lado brasileiro, pelo Laboratório Nacional de Astrofísica (LNA), vinculado ao CNPq. O valor representa 42,85% do custo total do observatório. “O País terá direito a 110 noites por ano para utilização do Soar”.

GÊMEOS – O Brasil também está envolvido no Projeto Gemini, para a construção de dois telescópios gêmeos nos hemisférios norte e sul, cada um com espelho de oito metros de diâmetros. Serão os maiores do mundo. “O primeiro, no Havaí, já está funcionando desde o ano passado”, disse. O outro, o Gemini-Sul, fica ao lado do Soar e estará pronto no próximo ano. Fazem parte ainda do consórcio do Projeto Gemini os EUA, Inglaterra, Canadá, Austrália, Chile e Argentina.

Nos observatórios Gemini, o Brasil, que entrou com 2,5% do orçamento (US$ 4,6 milhões), terá direito a 14 noites de observação por ano. “Com esta nova geração de telescópios, estaremos avançando na investigação sobre como as galáxias se formaram há 15 bilhões da anos”.

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Jornal do Commercio
Recife - 11.07.2000
Terça-feira