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ARTESANATO Censura afasta artesão de feira por Nara Lúcia Um incidente ofuscou ontem o brilho da 1ª Feira Nacional de Negócios do Artesanato (Fenneart), evento inédito em Pernambuco, que se realiza no Centro de Convenções. Uma talha com o rosto do ex-governador Miguel Arraes, obra de Jorge Vicente, foi retirada do estande de Gravatá. A direção da feira não teve participação no episódio. A decisão foi da coordenação do estande, que tem como patrocinador a prefeitura daquele município. Em protesto, o artesão não quis que outras peças de sua autoria ficassem expostas. Não vou mais participar da feira. E também não vou tirar nenhuma delas com as minhas mãos. Quem quiser que tire, avisou. Ele estava expondo duas talhas e miniaturas de casas esculpidas em casca de cajazeira. A peça com a figura de Arraes, com preço de R$ 5 mil, ainda foi exposta nos primeiros dias da Fenneart. A rejeição de alguns visitantes ao trabalho é uma das causas de sua retirada, segundo Cristovão do Rego Barros Júnior, artesão e coordenador do estande. Quando olhavam a talha, comentavam que significava um atraso, contou. Outro motivo apontado por ele é o tamanho do trabalho, de 1,5 metro de comprimento por um metro de largura. O estande tem 12 metros quadrados e só comporta peças pequenas, justificou. E um terceiro fator, admitido por Júnior, é o temor de que a talha com a imagem de Arraes pudesse ferir a legislação eleitoral neste ano de eleições municipais. O autor da obra não aceitou os argumentos. Quando fiz o cadastro na prefeitura para participar da feira, dei os detalhes das peças que estava trazendo, garantiu. Mas Júnior deixou escapar que a talha teria afastado o governador Jarbas Vasconcelos, inimigo político de Arraes, do estande de Gravatá. Ele visitou a feira e não passou por aqui, queixou-se a uma das coordenadoras da Fenneart, que assistiu, perplexa, à confusão armada no local. A diretora do evento, Marta Guerra, desaprovou a retirada da talha e tentou mantê-la no estande. Só quem pode fazer isso é a Prefeitura de Gravatá, responsável pelo estande, argumentou, contrariada. Mas Júnior disse que representava a prefeitura e que o trabalho de Jorge Vicente não ficaria exposto. A decisão de retirar a obra, segundo ele, foi tomada por cinco artesãos, entre eles o próprio Jorge Vicente. Houve consenso diante dos comentários negativos que a peça estava provocando, assegurou. O autor do trabalho desmentiu o colega. Não participei dessa reunião. Soube do resultado por Júnior, no domingo, quando a gente estava indo para o alojamento. Disse que se a peça estava atrapalhando, podiam tirar ela do estande. Só avisei que não botava as mãos nisso, relatou. CRIAÇÃO - A talha foi confeccionada em 90 dias, em 1998, ano da última eleição para governador do Estado. Ia mostrar a Miguel Arraes, mas ele perdeu a eleição antes que eu terminasse, contou Jorge Vicente. A escolha de Arraes como modelo, segundo ele, não foi por afinidade ideológica. Foi somente porque ele era o governador na época em que resolvi fazer a peça, resumiu. |
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