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EXPOSIÇÃO
Toda a beleza e mistério da terra

por Mário Hélio

O que fazem os repórteres da National Geographic não é simplesmente deixar claro que a fotografia é uma arte. Conseguem que a fotografia adquira força quase de uma segunda natureza. Dimensão de deslumbramento para os olhos gulosos de beleza. Depois de amanhã, todos os apaixonados por excelência visual têm a obrigação prazeirosa de ir à Torre Malakoff, e exercer o sagrado direito de contemplar. De admirar. De comer com os olhos muitas das 60 imagens de alguns dos mais ousados e competentes fotógrafos do planeta.

Iatã Cannabrava e Fred Jordão são os responsáveis pela curadoria e coordenação da mostra “Um olhar sobre o mundo”, que fica aberta até o dia 30. O que se pode ver lá? Há fotos históricas, como aquela em que Graham Bell está a concluir, em 1892, a primeira chamada de longa de distância, ou seja, literalmente inventando o telefone. Do início deste século (1909), vê-se o comandante Robert E. Peary inaugurando a exploração do Pólo Norte. E bem mais.

Se para muitos a fotografia pode ser uma arma, aos que produzem para a National Geographic talvez caiba dizer que ela é um meio de explorar o universo. Desse modo, já dá pra intuir que as primeiras imagens de novos planetas poderiam vir também dos que fazem da ousadia e do pioneirismo uma profissão.

Não há lugar inacessível o bastante, nem desafio que não queiram enfrentar os obsessivos exploradores. As imagens vão do épico, que inclui vulcões, animais em luta, ao lírico, no choro de uma criança peruana que teve as suas ovelhas atropeladas por um táxi.

Parece que em cada fotógrafo da National Geographic há a alma inquieta e indagadora de aventureiros fabulosos como Burton e Lawrence. Thomas J. Abercrombie é um desses. Emory Kristof é outro. E há muitos outros, à espera dos que têm olhos para ver, no Observatório Malakoff.

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Jornal do Commercio
Recife - 03.07.2000
Segunda-feira