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PETROBRAS
FGTS tem desconto na compra de ações

O trabalhador que resolver utilizar o saldo do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço para comprar ações da Petrobras ganhará, de início, R$ 6 por ação. Essa foi a forma encontrada pelo Governo Federal para tornar o negócio mais atraente e ‘falar mais alto’ que as resistências ao mercado de ações.

O ganho está sendo garantido pela oferta de um desconto de 20% sobre o valor inicial. Como a ação está sendo oferecida por, no máximo, R$ 58, o trabalhador que quiser investir pagará R$ 46. Com cada ação avaliada – até o início da oferta – em R$ 52, o investidor inicia a aplicação com um ganho de 13,04%. Esse ganho pode ser maior, caso os papéis valorizem-se ainda mais durante o período em que os títulos estiverem disponíveis (até 2 de agosto), como é esperado.

No primeiro dia em que os papéis foram ofertados, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) divulgou informações sobre a possibilidade de se disponibilizar um lote extra de ações, caso a procura seja maior do que o esperado. Com este adicional, a Petrobras pode chegar a vender 28,48% dos títulos ordinários (com direito a voto) e não os 24,21% já divulgados.

Para o consultor Aurivaldo Coimbra, da Ernst & Young, apesar de a cotação das ações da estatal terem subido 300% em 1999, a perspectiva é de que a nova valorização seja registrada. Para ele, a empresa tem sido hábil em fechar contratos com potenciais concorrentes no futuro mercado aberto.

O vice-presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), João Vaccari, criticou a aplicação do FGTS em ações da Petrobras. Segundo ele, o FGTS é um dinheiro que deve ser aplicado no “social” e não no mercado especulativo. “Esse dinheiro deve ser aplicado na construção da casa própria, em infra-estrutura ou em saneamento. Se é apenas para ganhar dinheiro, é melhor utilizar os recursos para financiar o déficit do Governo, que rende mais e não tem riscos”, afirmou.

Outra entidade ligada aos trabalhadores, a Força Sindical, está participando diretamente da compra das ações da Petrobras, através do fundo Força/Bradesco. Para Paulo Rabelo de Castro, da Força Sindical, a aplicação do saldo do FGTS em papéis da Petrobras abre uma nova opção para que o trabalhador possa investir esse dinheiro.

Para o advogado trabalhista Claúdio Ferreira, antes de tomar as decisões, o trabalhador precisa prestar atenção a alguns detalhes, como os impedimentos impostos à movimentação da conta e às possibilidades de saque nas situações previstas pela legislação – como demissão, aposentadoria, aquisição da casa própria, entre outras.

Ferreira alerta ainda para o risco de o investimento ser pulverizado com a emissão de novas ações. Neste caso, o advogado recomenda observar se está sendo oferecido um valor mínimo de face, para evitar que os recursos do trabalhador se percam no mercado.

O consultor Aurivaldo Coimbra descarta a possibilidade de os recursos ‘desaparecerem’. “Podemos debater sobre o quanto o negócio será rentável, mas com certeza existirá ganho”, comentou. Segundo Coimbra, as ações da Petrobras têm um peso de 10% na formação do Índice da Bolsa de Valores de São Paulo, o Ibovespa.

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Jornal do Commercio
Recife - 11.07.2000
Terça-feira