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O JOGO JÁ COMEÇOU

por Carol Almeida

Depois de dias de labuta, finalmente, desponta no horizonte o oásis da vida proletária, conhecido informalmente como final de semana. E quando você pensa que vai assistir a um pôr-de-sol cor-de-rosa na sexta-feira, anunciando um sábado e domingo de diversão, o que se vê no céu são apenas pesadas e cinzentas nuvens de chuva. A princípio, este poderia ser o cenário do desânimo, mas não é. O pacote do chuvoso do fim de semana pode ser resolvido com apenas dois ingredientes: uma porção de amigos e algum jogo debaixo do braço.

E aí vale (quase) tudo. Do Detetive, War ou Banco Imobiliário que você nem lembrava mais que ‘jazia’ em seu armário, até a febre dos anos 90, Imagem e Ação e outros novos jogos como Desafino e Perfil. A idéia é reunir os amigos em um ambiente confortável, onde todos possam se sentir à vontade, petiscando um salgadinho, bebendo aquela cerveja de lata, a Coca de 2 litros ou, se for algo mais requintado, a garrafa de vinho que compraram especialmente para a ocasião. Sem sombra de dúvidas, e de nuvens por perto, a diversão é garantida. Durante os jogos, as pessoas conversam muito, fofocam mais ainda e, claro, discutem coisas importantíssimas do tipo “você roubou, eu vi!” ou ainda “péra aê, eu acertei essa primeiro”.

“As opções de lazer na cidade já não são tão legais assim, e em época de chuva piorou. Melhor você se reunir com os amigos, cada um traz suas cervejas e jogamos até a madrugada”, opina a antropóloga Jô Menezes, 34 anos. Junto ao marido, Eduardo Melo, 28, Jô reúne os amigos ao menos, uma vez por mês para jogar Imagem e Ação, Academia e Perfil. “Geralmente a gente começa com os jogos mais leves, depois que a coisa vai esquentando, pegamos os mais competitivos”, explica ela.

Na mesma graduação de ânimos funciona a turma da ‘jogatina’, formada por um grupo de amigos que todo o domingo tenta se encontrar para jogar. “Normalmente são seis ou sete pessoas que participam. E assim que a gente abre o tabuleiro começam as ‘discussões’ pelo jogo. Eu só fico rindo”, diz o publicitário Thiago Diniz, 24, que lista os três jogos mais amados dos encontros: Master, Desafino e Perfil.

A fixação e vício pelas partidas são tão grandes que muitas vezes o grupo faz uma cota para comprar novos jogos. Às vezes, nem mesmo as cotas são precisas porque alguém se empolga tanto com determinada brincadeira, que resolve comprar tudo por conta própria. Este é o caso de Rodrigo Otávio, 24. Quinze dias depois de um despretensioso final de semana jogando Palavras Cruzadas (partidas que se alongaram até a mesa de um restaurante japonês onde o grupo foi comer depois), Rodrigo resolveu comprar o mesmo jogo. “Hoje, sempre que tem um jantar lá em casa, chamo o pessoal para jogar”, admite.

Dos dois ingredientes supra citados para um final de semana chuvoso, amigos e jogos, nenhum é tão difícil assim de se conseguir – talvez os amigos sejam mais complicados que os jogos. Mesmo assim, não é tão inatingível bolar um sábado e domingão diferente: bastam alguns telefonemas, uma bebida, um pacote de salgadinho e, pronto, sua descarga de lazer por horas pode sair bem mais em conta que a ida a um bar a céu aberto ou a uma boate longe da sua casa (ruas alagadas pelo caminho) e, com certeza, bem mais agradável e enxuta.

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Jornal do Commercio
Recife - 07.07.2000
Sexta-feira