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CRUZEIRO
Müller diz ter provado que não merecia ser reserva

BELO HORIZONTE - O veterano atacante Müller, de 34 anos, colocado na reserva pelo ex-técnico do Cruzeiro, Marco Aurélio, a partir do segundo jogo das semifinais da Copa do Brasil, contra o Santos – e aproveitado apenas no decorrer dos confrontos finais da competição –, acredita que seu desempenho, anteontem, no segundo tempo contra o São Paulo, provou a todos que ele não merecia o banco. Aos 35 minutos da etapa final, quando o Cruzeiro perdia por 1x0, Müller iniciou a reação mineira, apoiando-se no marcador são-paulino, dentro da área, e dando um toque sutil para deixar Fábio Júnior cara a cara com o goleiro Rogério e empatar a partida.

O centroavante aproveitou a chance, e menos de dez minutos depois, o Cruzeiro virou o jogo, chegando ao seu terceiro título na Copa do Brasil. “Fico feliz por ter contribuído para mais esta conquista”, disse Müller, que desde que chegou ao clube, em julho de 1998, colecionava seis vice-campeonatos e nenhum título de maior expressão. Horas antes do jogo, o atacante fora à sala do assessor da presidência do clube mineiro, Valdir Barbosa, para conversar sobre a incômoda situação de reserva.

“Ele me disse que estava chateado, que não entendia o porquê de ficar no banco em um jogo tão importante, no qual o Cruzeiro precisava de muita força no ataque”, afirmou Barbosa.

“A justificativa do treinador era a necessidade de fortalecimento da marcação na intermediária do Cruzeiro. Mas, felizmente, ele entrou, fez uma grande apresentação e nos ajudou na conquista do título”, completou.

Müller, que é pastor evangélico e dono da própria igreja, na Zona Leste de Belo Horizonte, não foi encontrado ontem para falar sobre as propostas que teria recebido de outros clubes, entre eles o Corinthians. Sábado, porém, o atacante, que chegou ao 31º título de sua carreira, voltou a dizer que não tem planos, pelo menos no momento, de deixar Belo Horizonte e o Cruzeiro, clube com o qual tem contrato por mais um ano. Müller garantiu que, assim que deixar o futebol, vai dedicar-se em tempo integral à igreja que fundou. “Eu sei que não posso jogar para sempre e minha missão, quando eu parar, será a pregação”, disse.

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Jornal do Commercio
Recife - 11.07.2000
Terça-feira