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ISRAEL Barak vai à reunião de cúpula com seu Governo beirando o abismo JERUSALÉM A crise política israelense, relacionada com a cúpula de Camp David, intensificou-se ontem com a apresentação pela oposição de direita de duas moções de censura ao governo de Ehud Barak e chegou a levá-lo a adiar por algumas horas sua partida para Washington. No fim, Barak sobreviveu ao desafio: a resolução apresentada pelo partido Likud saiu vitoriosa, por 54 a 52, mas não obteve a maioria absoluta, de 61 votos, necessária para derrubar o governo e convocar eleições parlamentares, como pretendia. A segunda moção teve sua votação adiada indefinidamente. Dois dos ministros de Barak não tomaram parte na votação porque haviam viajado para os EUA no dia anterior e sete parlamentares abstiveram-se. Barak contou com o apoio de partidos de esquerda e da bancada árabe israelense. Terminada a votação, Barak partiu imediatamente para Washington. A apresentação da moção seguiu-se ao colapso do governo no domingo, quando três partidos de direita anunciaram sua saída da coalizão, retirando seus seis ministros do gabinete: o Israel 'B'Aliya, do ministro do Interior, Natan Sharanski, apoiado por imigrantes russos; o Partido Nacional Religioso,do ministro da Habitação, Yitzhak Levy, e o ultra-ortodoxo Shas, que detinha quatro Ministérios. Barak ficou com o apoio de apenas 42 parlamentares e viajou sem a companhia do chanceler David Levy, que se negou a acompanhar o chefe de Governo pelo fato de ele não ter definido claramente as linhas vermelhas que não ultrapassará nas negociações com os palestinos. O grande trunfo de Barak antes da votação foi a divulgação de uma pesquisa do prestigiado Instituto Dahaf, pelo jornal Yedioth Ahronoth, indicando que 52% dos israelenses apoiavam a ida dele à cúpula, 44% opunham-se e 3% não declararam opinião. Confiante no apoio da população, Barak foi ao Parlamento acompanhar o debate e a votação e, antes, fez um discurso dizendo ter a seu lado a maioria dos israelenses. Não estou indo sozinho, afirmou. Comigo irão quase 2 milhões de pessoas que nos conduziram à liderança do país, frisou. RENÚNCIA O presidente de Israel, Ezer Weizman, transmitiu ontem, conforme estava previsto, sua carta de renúncia ao presidente do Parlamento, Avraham Burg. Weizman, de 76 anos, abandona a presidência três anos antes do fim de seu segundo mandato, devido a um caso de corrução. Sua queda foi provocada pela divulgação de que, quando era deputado e ministro, recebeu presentes de 450 mil dólares do empresário francês Edouard Saroussi. |
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