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ISRAEL II Bill Clinton tem pouco tempo para a paz por
Paulo Sotero WASHINGTON Há 22 anos, o presidente Jimmy Carter trancou o presidente do Egito, Anuar Sadat, e o primeiro-ministro de Israel, Menachen Begin, no refúgio presidencial de Camp David, nas montanhas Catoctin, em Maryland, e, quase três semanas mais tarde, conseguiu o que, na época, muitos consideravam inimaginável: acordo que garantiu a devolução da península do Sinai ao Egito, ocupada por Israel na guerra de 1967, contra o reconhecimento do Estado judeu pelo maior e mais influente Estado árabe. Estava desfeita a frente árabe que prometera, na criação de Israel, em 1948, jamais reconhecer sua existência e jogar os judeus no mar. Iniciava-se o processo de paz de Oriente Médio, que frutificaria 15 anos mais tarde nos acordos de Oslo entre os israelenses e os cerca de 3 milhões de palestinos que vivem nos territórios ocupados por Israel. Completar os acordos de Oslo, negociando os termos para a proclamação de um Estado palestino nos territórios ocupados de Cisjordânia e Faixa de Gaza no prazo estipulado de 13 de setembro, é o objetivo que o primeiro-ministro de Israel, Ehud Barak, e o presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat, perseguirão a partir de amanhã em Camp David. Para o presidente Bill Clinton, que teve o mérito de impulsionar os acordos de Oslo e convocou na semana passada a nova cúpula, trata-se de uma missão quase impossível. Os dois grandes líderes do processo de paz do Oriente Médio pagaram com a vida. Sadat foi assassinado em 1981, no Cairo, por fundamentalistas islâmicos, pela heresia de reconhecer Israel. O premiê israelense, Yitzhak Rabin, o general da fulminante vitória militar de seu país en 1967, foi morto por um extremista judeu em 1996, em Tel-Aviv, por ter ousado abrir o caminho do entendimento com os palestinos, admitindo devolver os territórios que suas tropas ocuparam na Cisjordância e na Faixa de Gaza em troca da paz. Como se a complexidade dos temas não bastasse - entre outras difíceis questões, Barak e Arafat terão de negociar as fronteiras do novo Estado palestino, o futuro dos 200.000 israelenses que se estabeleceram nos territórios ocupados e o status de Jerusalém, que os dois lados reivindicam como sua capital espiritual e política -, Clinton opera sob circunstâncias bem mais desfavoráveis, se comparado com Carter em 1978. Carter ainda tinha dois anos de mandato, enquanto Clinton tem seis meses, observou o ex-assessor de segurança nacional da Casa Branca, Zbigniew Brzezinski, que teve um papel central nas negociações de 1978. Ele está muito mais pressionado pelo tempo. Além do fator tempo, Carter tinha também a seu favor a expectativa criada pela histórica viagem que Sadat fizera em 1977 a Israel, em busca da paz, uma iniciativa corajosa que justificou a decisão do presidente norte-americano de convocar a cúpula de Camp David e deixou Menachen Begin na berlinda. |
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