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JOELMIR BETTING

Sócios do petróleo

Retrato três por quatro da Petrobras, em dólar de R$ 1,79: patrimônio líquido, US$ 11 bilhões; receita bruta, US$ 22,4 bilhões; receita líquida, US$ 16,4 bilhões; lucro líquido ajustado, US$ 159 milhões; 35.890 funcionários; folha salarial, US$ 1,4 bilhão; contribuição fiscal, US$ 6 bilhões. Revista Exame (Melhores e Maiores).

A estatal do petróleo e do gás natural já está aceitando sócios em cada esquina. Ela colocou à venda, desde ontem, uma fatia de 16,63% do seu capital total. Ou 153,5 milhões de ações ordinárias, equivalentes a 28,48% do capital votante. O governo continuará dono da propriedade e da autoridade, com 55,56% do capital votante e 32,44% do capital total.

Com essa operação, a União espera entesourar perto de R$ 9 bilhões sem abrir mão do controle técnico, físico e político da Petrobras. Que não será privatizada. Ela perdeu o crachá de empreiteira exclusiva do monopólio estatal do petróleo. Monopólio que nunca foi dela. Sempre foi (e continua sendo) da União.

Pela primeira vez, o trabalhador brasileiro pode fazer uso do FGTS para adquirir ações da Petrobras. O interessado aplica até 50% do FGTS na compra de cotas de um FMP-FGTS (fundo de ações da Petrobras vinculado ao Fundo de Garantia).

Com desconto de 20% sobre o valor dessas mesmas ações em bolsa. Decorrido o prazo de um ano, o investidor pode optar entre continuar de posse das cotas ou trazer o valor delas de volta para a conta do FGTS. Se quiser vender as cotas antes de 6 meses da subscrição, perderá o desconto de 20%. Antes de um ano, a taxa de resgate será de 10%.

Se não quiser mexer no FGTS, que exala incenso de coisa sacralizada, a compra das cotas de acionista das Petrobras pode ser feita em dinheiro, a partir de R$ 300 também com desconto de 20%.

Acima de R$ 5 mil, dá para comprar também as ações (e não apenas as cotas). Sem desconto, mas em seis parcelas.

Bom negócio? Bem, o prazo para a compra de cotas com desconto e de ações com parcelamento vai até o dia 31. Com o lembrete do BNDES, que coordena toda a operação: comprar ações é correr o risco de ganhar, de empatar ou de perder. A médio e a longo prazo, o risco é cada vez menor. Claro, para quem acha que a Petrobras tem futuro, não faz bobagem e não vai quebrar.

Analistas de bolsa chutam com as duas: agora em 2000, a Bovespa pode lucrar até 20%. Nos próximos 12 meses, a Petrobras leva jeito de valorizar-se em torno de 35%. O dinheiro parado no FGTS vai render, no mesmo período, 3% mais TR. Sabe qual foi a variação da TR no primeiro semestre? Nada além de 1,05%.

Quanto vale?

O mercado indica que a Petrobrás terá um valor médio, para julho, de R$ 55 por ação ON. O BNDES fixou um preço máximo de R$ 58 para os fundos agora constituídos (mais de R$ 60 até ontem). Com desconto de 20%, a coisa sai por R$ 46,40.

Quanto subiu?

Até sexta-feira, 7, o Índice da Bovespa acumulava no ano uma alta de apenas 2,9%. No mesmo período, as ações ON da Petrobrás subiram 31,9%. A empresa gratificou a comunidade de acionistas privados com uma baciada de boas notícias. Com o desmanche da Telebrás, é da Petrobrás o maior peso (12,3%) na composição do novo Índice da Bovespa.

Será nosso

A Bacia de Campos já está jorrando 1 milhão de barris por dia. A Petrobrás investe como nunca para alcançar a auto-suficiência do Brasil em petróleo em 2003. No cinqüentenário dela.


Jornal do Commercio
Recife - 11.07.2000
Terça-feira