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LANCE LIVRE
Fernando Menezes

Desculpem a nossa falha

A coluna publicada ontem tem um percentual de erros de digitação e falta de palavras que me obriga a repeti-la, é o mínimo que posso fazer, além de pedir desculpas. Lá vai bala: A respeito da seleção brasileira há sempre muito o que dizer, e como somos todos treinadores disso nos ocupamos com grande desembaraço, assim como fiz na última 3ª feira e agora o fazem dois leitores qualificados: Humberto Vieira de Melo, advogado e compositor, ofícios permanentes que exerce com grande competência, e atual secretário de Justiça, coisa transitória. O outro, Alvaro de Araújo, professor de Inglês e bom observador do nosso futebol. Ambos afirmam que um dos erros mais evidentes que cometem nossos últimos treinadores é o de convocar uma maioria de “estrangeiros”, em detrimento da rapaziada que atua aqui. Em primeiro lugar, estes atletas enfrentam desgastantes dificuldades de liberação dos seus clubes, chegam exaustos das longas viagens e como nosso calendário é maluco e o europeu exigente, ficam sem tempo para treinar. A seguir vem o maior equívoco: Grande parte dos convocados já jogam á europeía, pois lá estão há anos. Carecem, portanto, de readaptação para jogar á brasileira. E desta confusão nasce boa parte do nosso mau desempenho. Humberto lembra com propriedade, que Parreira ganhou a copa de 94 jogando á européia, marcando fortíssimo a partir do meio-de-campo, com Dunga de Pit Bull, e lá na frente Romário resolvendo na base do talento. E ganhamos tudo chorado, um golzinho de diferença , um empate e aquele milagre no jogo contra a Holanda!

O Wanderley dispõe, no máximo, de cinco dias para treinar, o que é absolutamente insuficiente. Nossa seleção, vai daí, não tem personalidade. E para finalizar, Humberto ainda aponta a previsibilidade de nosso desempenho. Temos uma só jogada, que é a subida dos alas, Cafu por um lado e Roberto Carlos pelo outro. O adversário planta um poste diante de qualquer dos dois e complica nossa vida. Agora, digo eu, é urgente formular jogadas a partir do meio-de-campo. Se Rivaldo é peladeiro, e mesmo assim é o melhor jogador do mundo, que o deixem jogar como sabe. Bem, caros leitores, o título de ontem foi Observações lúcidas, mas hoje tem que ser Desculpem nossa falha!


Jornal do Commercio
Recife - 11.07.2000
Terça-feira