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Regina Pitoscia

Bolsa não reage ao corte do juro

O mercado de ações não se animou com a redução do juro básico de 17,5% para 17%, anunciada pelo Banco Central após o fechamento do pregão de sexta-feira. A Bolsa de São Paulo pendeu mais à baixa, diante da ausência de tendência clara das ações em Nova Iorque, e chegou ao fim dos negócios com desvalorização de 0,72%.

O pregão teve fraca movimentação, com volume financeiro de apenas R$ 545,888 milhões.

O baixo volume negociado, segundo operadores, traduz a falta de novidades capazes de estimular maior interesse pelo investimento em ações. A expectativa de que o novo corte da taxa básica daria mais animação aos negócios com ações não se materializou. Em geral, juros declinantes atraem o investidor para a Bolsa porque favorecem a valorização das ações, pelo aumento de produção e lucro das empresas e pela queda de rentabilidade das aplicações remuneradas por juros no mercado de renda fixa.

O interesse do investidor que transitou pelo pregão ontem esteve voltado às ações de segunda linha, que, com Duratex à frente, lideraram as altas do Índice Bovespa (IBovespa). Duratex PN subiu 3,3%, seguido de Light ON, 2,5%, Brahma PN, 1,8%; Souza Cruz ON, 1,5%; e Copel PNB, 1,3%. A ação ordinária nominativa (ON) da Petrobrás, que desde ontem passou a ser ofertada à compra de pessoas físicas inclusive com os recursos do FGTS, fechou o pregão com valorização de 0,48%, cotada por R$ 52,05.

A política de redução dos juros age positivamente sobre as expectativas, mas o investidor permanece ligado ao comportamento das ações no mercado de Nova Iorque, principalmente nesta semana em que estão previstos dois pronunciamentos, um deles hoje, do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), Alan Greenspan, e divulgação de novos dados sobre a inflação norte-americana.

Em Nova Iorque, o índice Nasdaq, das ações de tecnologia e Internet, recuou 42,5 pontos ou 1,06% e o Dow Jones, das empresas tradicionais, avançou 11,3 pontos ou 0,11%, no fechamento.

Os mercados de juros futuros e à vista, incluídos os de CDBs, tiveram um realinhamento para ajustar-se ao juro básico mais baixo desde ontem. O recuo da taxa nominal de juro combinado com a alta da inflação prevista para os próximos meses tende a achatar o rendimento real, a margem acima da inflação, das aplicações de renda fixa.

RENDA FIXA – Pela taxa máxima, o CDB rendeu 17,5% ao ano, ou rendimento bruto de 1,35% e líquido de 1,08%. As instituições financeiras estão promovendo um ajuste dos juros à nova taxa Selic de 17%. Nas agências, aplicação de R$ 5 mil rendeu 13,77% ao ano, ou 1,08% bruto e 0,86% líquido; R$ 30 mil, 14,72% ao ano, ou 1,15% bruto e 0,92% líquido; R$ 50 mil, 15,55% ao ano, ou 1,21% bruto e 0,97% líquido.

Dólar

As cotações do dólar mantiveram estabilidade no mercado paralelo e permaneceram em queda no comercial. O paralelo foi cotado por R$ 1,900 para compra e R$ 1,920 para venda, níveis idênticos aos de fechamento de sexta-feira, e o comercial recuou mais 0,28%, para R$ 1,793 na compra e R$ 1,795 na venda, no fechamento dos negócios.

Ouro

O volume movimentado na BM&F fechou o pregão cotado por R$ 17,63 o grama, com valorização de 0,74%. O volume negociado foi de 39 kg. No mercado de Nova Iorque, na Commodity Exchange (Comex), a onça-troy de ouro foi cotada por US$ 284,90 nos contratos para liquidação em agosto.

Bolsa

As cinco maiores altas, entre as 54 ações do IBovespa, foram Duratex PN, 3,3%; light ON, 2,5%; Brahma PN, 1,8%; Souza Cruz ON, 1,5%; Copel PNB, 1,3%. As maiores baixas, Tele Celular Sul PN, 4,8%; Embratel Participações PN, 4%; Telerj PN, 3,8%; Cemig ON, 3,6%; Banespa PN, 3,5%.


Jornal do Commercio
Recife - 11.07.2000
Terça-feira