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RUMO AO VOTO Magalhães não consegue esvaziar debate Foram mais de quatro horas de muita discussão em torno de propostas sobre o futuro do Recife. Dinâmico e bastante proveitoso, o primeiro debate entre os candidatos à Prefeitura da cidade, promovido pelo Sindicato dos Jornalistas de Pernambuco, também foi o primeiro da história a ser transmitido para o mundo todo, via Internet. Assistido por mais de 450 pessoas, uma delas em Londres, ele contou com a participação de seis dos sete integrantes da disputa no município. O único ausente foi o atual prefeito Roberto Magalhães (PFL), que já havia negado a sua presença e, no mesmo horário, agendou uma reunião sobre o Orçamento Participativo. Mas se a idéia era esvaziar o encontro, a estratégia de Magalhães furou. A figura do prefeito quase não fez falta. Pelo contrário, a ausência dele acabou facilitando até mesmo a arrumação dos seis candidatos na mesa do apertado auditório. Após 15 minutos de tolerância, o presidente do sindicato, Rossini Barreira, iniciou o debate lamentando a ausência de qualquer candidato e rechaçando de forma imediata a vinculação do sindicato com qualquer candidatura. Conduzido de maneira rigorosa pela jornalista Vera Ferraz, o debate deu o espaço necessário para que os candidatos colocassem suas idéias em alto nível, sem que as críticas passassem para o campo pessoal. Abrindo o encontro, Carlos Pantaleão (PSTU) deixou bem claro que está muito mais preocupado com a bandeira do Fora FHC, Fora FMI e com o fantasma do neoliberalismo, do que com a administração da cidade. Porém, garantiu que, se for eleito, vai reajustar em 100% os salários dos servidores municipais e financiar, com dinheiro da prefeitura, invasões e saques pelos trabalhadores sem-teto e sem-terra. Não vamos governar para todos. Vamos governar para os trabalhadores, e os ricos é que vão pagar as contas. Menos ousado, Fred Brandt (PSN) apresentou, por escrito, uma sinopse do seu programa de governo, mas não soube detalhá-lo bem em alguns pontos, como, por exemplo, a alimentação de famílias carentes. No entanto, prometeu dar de comer aos pobres, acabar com a prostituição, crianças de rua e mendigos da cidade. O dinheiro existe. Basta saber fazer, afirmou. O pedetista Vicente André Gomes, da Força Popular (PDT/PAN/PMN/PTdoB), apresentou uma preocupação especial com os morros e disse que, se não for para o segundo turno, está disposto a aderir a qualquer um que se identifique com o seu programa de governo. Temos 12 pontos que são intocáveis, explicou. Apagada mesmo estava a estrela do petista João Paulo, da Frente de Esquerda do Recife (PT/PCB/PCdoB/PGT). Desanimado, o deputado parecia sem pique para participar do debate, mas garantiu a unidade do PT em torno do seu nome e que não haveria problemas em governar com as divergentes tendências do partido. Propôs uma política de incentivo para o servidor e citou os governos do Rio Grande do Sul e de Camaragibe para defender o modo petista de governar das críticas do PSTU. A nossa gestão participativa é um modelo que não tem nada a ver com esse implantado aqui no Recife. Já o candidato da Frente de Oposição Recife Melhor (PPS/PSB/PTB), senador Carlos Wilson (PPS), foi alvo, principalmente, de questionamentos sobre as suas mudanças partidárias. Da Arena para o PP, em seguida para o PMDB, depois para o PSDB e, agora, o PPS. Mas nunca fui oportunista. Sempre saí da confortável posição de governo para passar para a oposição, garantiu. Segundo o senador, até mesmo o Ministério do Meio Ambiente foi oferecido a ele para que não se candidatasse ao Governo do Estado, em 1998. O eleitor preza pela confiança, e sempre estive ao lado das causas democráticas. |
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