LG_jc.gif (3670 bytes)

RUMO AO VOTO IV
Um ‘bombardeio’ no Governo Magalhães

Sem nem direito a cadeira vazia, o prefeito Roberto Magalhães (PFL) experimentou, mais uma vez, a metralhadora giratória dos adversários em cima da sua administração. Cada um a seu modo, os candidatos aproveitaram o debate para criticar a gestão do pefelista. Mas foi só na última parte, quando um perguntava ao outro, que eles deitaram e rolaram e passaram a utilizar a estratégia dominó: um canta a pedra para o outro bater.

O festival começou com Fred Brandt (PSN), que classificou Magalhães como “o pior prefeito que o Recife já teve”, e seguiu com Vicente André Gomes (PDT) afirmando que “quem assassina o povo é quem não tem compromisso com os morros”. Brandt, até o final do encontro, ainda acusou Magalhães de “pautar a administração pela omissão”, de “desonestidade por gastar dinheiro público para promoção pessoal”, de ser “anti-democrático” e de “não gostar do povo”.

João Braga (PSDB) aproveitou o momento para também tirar uma casquinha e reclamar do “descaso” do prefeito para com o problema do saneamento. “Ele não fez nada quando foi governador, nem fez nada agora. Aliás, fez. Fez em uma única rua: a dele”. Bateu forte ainda na ponte-viaduto Joaquim Cardozo, sugerindo uma investigação da Câmara Municipal para avaliar até que ponto “aquilo não serviu para beneficiar a especulação imobiliária”.

Carlos Wilson (PPS) foi buscar, dez anos atrás, o apoio dado por Magalhães a Collor e criticou duramente a ineficácia da taxa tapa-buracos. “Ele também se recusa a aplicar 15% do orçamento da cidade em saúde. Não tem compromisso com o social”. As críticas mais contundentes de João Paulo (PT) só vieram no final, acusando o prefeito de “despreparado” e responsável por uma “gestão desastrosa”.

À tarde, em entrevista por telefone, Magalhães rebateu os ataques dos adversários. Com relação à polêmica construção da Ponte Joaquim Cardozo, o prefeito assegurou que “aquela ponte é uma obra reestruturadora que possibilita o crescimento do Pólo Médico da Ilha do Leite. Já temos um movimento de cerca de 1200 veículos por dia, garantindo o resgate de uma área nobre, que estava abandonada”.

Sobre os buracos, Magalhães afirmou que não se pode tapar buracos com água. “Estamos esperando um pouco de sol”, disse. Quanto à falta de investimento em saneamento, por causa da construção da Ponte Joaquim Cardozo, o prefeito afirmou: “O sistema viário é de responsabilidade da Prefeitura. Saneamento é competência do Estado”.

_________________________________________


Jornal do Commercio
Recife - 11.07.2000
Terça-feira