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DIVERSÃO NO FRIO
A cidade que nasceu do frio e das flores

Não houve idéia mais feliz para esquentar o frio de Garanhuns do que o Festival de Inverno. Se o projeto começou com todo mundo olhando meio de lado, não há dúvida que hoje pode ser considerado um dos mais importantes eventos ocorridos no Estado, ao lado do Abril pro Rock. Para o turismo, o acontecimento é um achado, tanto por firmar Garanhuns como cidade cultural quanto por desvendá-la para o turista que vê além dos limites de Recife e das praias. Tem muita coisa para curtir e ver, desde as famosas praças floridas e o delicioso friozinho local, até cantos mais inesperados, como a pequena comunidade quilombola de Castainho (vá lá para conhecer a casa de farinha e comprar beiju). Tem também o povoado de Santa Quitéria das Flexeiras, na cidadezinha de São João, que atrai milhares de fiéis por ano em busca de uma graça. Dentro da própria Garanhuns, vão se descobrindo pequenas curiosidades que transformam a visita em uma espécie de pesquisa gastronômica-cultural: a possibilidade de comer uma fausta buchada de bode no almoço (ela vive ganhando destaque nos guias nacionais) e depois, no jantar, comer uma fondue acompanhada de bom vinho. Mais cosmopolita, impossível. Regras básicas para quem comete a feliz idéia de conhecer a cidade: leve um casaco eficiente, talvez umas luvas e um inevitável gorro e prepare-se para engordar uns quilinhos. Não tem coisa mais saborosa e confortável do que tomar aquele chocolate quente – visitamos o pessoal que prepara ele para você –, tarefa que não pode vir acompanhada de nenhuma culpa. Com ele, você vai confirmar a teoria de que pecar de vez em quando é realmente muito gostoso. Por Fabiana Moraes

Tem umas cidades que ficam meio metidas a besta quando crescem (ou ainda estão na puberdade). Garanhuns, a 230 quilômetros do Recife, se recusou a levantar o nariz. Apesar de ser uma das principais do Agreste Meridional, ter uma boa estrutura de hotéis e serviços e ainda possuir um dos mais agradáveis climas da região, ela conserva uma aura bucólica, serrana. A sensação é de se estar num grande hotel-fazenda.

Essa cara de cidade-ideal-para-descansar é, sem dúvida, um dos maiores atrativos do município. A boa infra-estrutura turística, além de uma oferta de pontos atraentes para se visitar, a torna parte de uma rota obrigatória para quem deseja conhecer um outro Pernambuco, esse mais frio e bucólico, bem diferente da imagem do Nordeste que é vendido pelo Brasil.

Um bom ponto de partida para uma pequena tour por Garanhuns é o Centro Cultural Alfredo Leite Cavalcanti, construção datada do século 19, provavelmente da década de 1880. O centro, em frente à Praça Guadalajara, é a antiga estação ferroviária da cidade. As linhas arquitetônicas inglesas dão imponência à construção: são treliças no alto das grandes janelas, colunas e beiral de ferro trabalhado e três grandes portas. No espaço, funciona um teatro, Sala da História da Imprensa, Museu de Arte Didática, Sala de Memória Iconográfica de Garanhuns, Casa do Artesão e Galeria de Artes Plásticas.

Dali, segue-se para o Parque Ruber Van Der Linden (Pau Pombo), um dos mais aprazíveis da cidade. O espaço é exuberante, e conta com árvores de pequeno, médio e grande porte, lagos, flores raras, lanchonete e espaços de lazer. O parque foi instalado onde funcionava a antiga companhia de abastecimento de água e luz de Garanhuns, o antigo Pau Pombo, canto procurado pelas famílias de fino trato para a realização de piqueniques. Continue o passeio visitando outro parque, desta vez o dos eucaliptos, oficialmente Parque Euclides Dourado. Com cerca de oito hectares, ele está incrustado na área urbana, abrigando a biblioteca municipal. Atualmente, o parque é bastante procurado para a prática do cooper. Uma reforma promete tornar a área ainda mais atraente: no projeto, a instalação de uma ciclovia, área para piqueniques e lago para pedalinhos.

Hora de ir conhecer um dos cartões-postais da cidade: a Praça Tavares Correia, onde está o Relógio das Flores. Apesar de manter-se bonita durante o ano todo, ela ganha ainda mais cores durante a primavera, quando as flores se abrem e atraem centenas de borboletas. Nesta época, a praça de ares bucólicos ganha ainda mais visitantes, que descansam sob árvores e flamboyans. O relógio, construído em 1979, é o único no Norte e Nordeste, medindo 4 metros de diâmetro. Ele funciona a cristal de quartzo e atrasa apenas um minuto por ano. Detalhe: todos os números são feitos com plantas e flores.

Depois de conhecer os principais espaços verdes locais, aventure-se até um dos pontos mais altos do município, no Cristo do Magano, a 1.030 metros de altitude. De lá, uma visão geral da cidade e da planície que olha para o Sertão. Lembre-se: o frio no lugar é bem mais intenso, por isso é bom estar bastante agasalhado. Na volta para o centro, procure a casa de chocolate Sete Colinas e se farte com a diversidade de doces oferecidos a preços módicos (uma fatia de torta custa R$ 0,70, por exemplo).

QUANDO A NOITE CAI – À noite, o ponto mais animado fica concentrado na Av. Heliópolis, onde existem bares para diferentes públicos. O Toca do Guará, por exemplo, é canto preferido dos motoqueiros e bad boys locais, às sextas-feiras. O Bar da Nira é voltado para amantes da MPB e música pop, assim como o Travessia. A concentração espontânea de locais destinados ao lazer chamou a atenção da prefeitura, que pretende lançar, até agosto, a implantação do Pólo Heliópolis. “A idéia é urbanizar a área, instalar nova iluminação e construir um calçadão”, afirma o secretário de turismo da cidade, Marcílio Reinaux Maia. Quase todos os bares do local oferecem uma programação alternativa durante os dez dias do Festival de Garanhuns. (F.M.)

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Jornal do Commercio
Recife - 06.07.2000
Quinta-feira