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DIVERSÃO NO FRIO II
Deliciosos detalhes compõem a cidade

Um leva semente e folhas de coentro, alho, cebola e muito tempero, principalmente cominho. O outro, pode ser feito de carne, queijo, chocolate ou mesmo frutas. Os dois são uma delícia. A buchada de bode e a fondue são dois dos pratos mais famosos de Garanhuns. Enquanto um é mais democrático (leia-se bem mais barato), o outro é essencialmente charmoso, principalmente se acompanhado de um bom vinho (tinto, se a fondue for de carne. Branco, se a fondue for de queijo). Já para a buchada - como foi dito, ela é mais democrática - nada melhor do que uma cerveja bem gelada. Pode-se preferir tanto um quanto o outro prato, mas não existe melhor recomendação do que provar os dois.

Comecemos pela buchada, que vai forrar a barriga do caminhante após uma manhã inteira de andanças pelos pontos turísticos da cidade. Na Vila do Quartel, próxima à BR, encontra-se a do Gago, que tornou-se instituição local. Ele, é claro, orgulha-se da receita que começou a preparar há 25 anos. "A gente saiu em um guia nacional, em revista, em jornal. Vem muita gente de fora comer aqui", conta João Batista de Sá, 53 anos, o Gago. E porque essa procura é tão grande? "Por que ela é boa mesmo, a melhor da região", diz, sem delongas.

O segredo parece estar na feitura 'artesanal' da iguaria: primeiro, João forra toda a panela com grandes ramas de coentro e só depois joga os miúdos do bode dentro, já temperados. Essa mistura passa toda a noite cozinhando numa grande panela, em banho-maria. O resultado é um prato de gosto forte e delicioso, contra-indicado para quem tem coração fraco. A curitibana Neuza Ehrhardt nunca havia ouvido falar de buchada em sua vida, e, de passagem por Pernambuco, aceitou o convite de alguns amigos para ir até o restaurante do Gago. "É muito bom", derramava-se, após a primeira garfada. Cada pessoa paga apenas R$ 4 para saborear os miúdos do bode, que ainda acompanham um pirão saboroso, porções de bode assado e uma tigela de verduras e legumes.

GOSTINHO EUROPEU – Chegamos à fondue, esse outro clássico das noites geladas de Garanhuns. A professora Jutlândia Luna, 58, prepara uns dos mais completos da cidade. O único porém é que eles só podem ser apreciados durante os eventos festivos locais, quando ela abre, durante à noite, as portas do seu restaurante Chalé (que funciona normalmente apenas para o almoço). "A fondue de carne pede acompanhamentos como patês de azeitona, atum, picles. Sirvo tudo com pãezinhos caseiros. No de queijo, misturo gorgonzola, roquefort, camembert", ensina. De sobremesa, o delicioso creme de uvas, onde a fruta vem inteira.

Para quem chega à Garanhuns em dias de não-festa e quer apreciar uma fondue, existe o Chez Pascale, na Avenida Heliópolis. Aqui, no entanto, o prato aparece mais simples, principalmente em sua apresentação. Uma curiosidade no Chez: o prato, simplesinho, sai mais caro (R$ 28, o de queijo) que o oferecido pelo Chalé (R$ 20, o mesmo tipo).

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Jornal do Commercio
Recife - 06.07.2000
Quinta-feira