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DIVERSÃO NO FRIO III
A casa de farinha e o povo de Castainho

Eles contam que chegaram à Castainho depois da morte de Zumbi dos Palmares. Vieram pelo rio. Até hoje, estão no local, exercendo basicamente a mesma atividade iniciada há séculos atrás. Plantam mandioca, que mais tarde vira farinha, massa, goma, beiju. Dela, tudo se aproveita: a casca e a folha servem de ração para os animais. A manipueira (bagaço) serve como adubo. Da farinha, tira-se o sustento da comunidade.

Em 1997, a comunidade de Castainho, a 15 minutos de Garanhuns, foi reconhecida oficialmente pelo Ministério da Cultura/Fundação Palmares como remanescente de quilombo. O título é bem-vindo por grande parte das 164 famílias que habitam o local, muito embora algumas pessoas não saibam muito bem o que ele significa. "Dizem que minha avó era escrava, mas eu não sei não. Mãe, a sua mãe era escrava mesmo?", pergunta Dona Zulmira, mais conhecida como Mariquinha, à sua mãe. Ela dá de ombros como quem diz "deve ter sido". Não tem tempo para conversa: precisa ralar muita mandioca.

O trabalho na casa de farinha segue um cronograma-ritual que precisa ser seguido à risca. Segunda, é dia da buscada da mandioca, plantada nas roças da própria comunidade. Terça, é dia de ralar o alimento e fazer a farinhada. Quarta e quinta, dias mais amenos, são reservados para processar a massa puba, reservada para o preparo de cuscuz, e da goma de mandioca. Na sexta, faz-se o beiju, vendido aos sábados e domingos na feira de Garanhuns. Cada lasca do produto, à base de mandioca e coco, é vendido por R$ 50 centavos.

Em 1997, na sétima edição do festival, a comunidade foi incluída no rol das programações. "Foi um sucesso, tivemos um número grande de visitantes", comenta o representante da comunidade, José Carlos Lopes, que lamenta a falta de inclusão de Castainho na pauta do evento. Ainda assim, muitos curiosos se aventuram até lá, tanto nos dez dias da festa quanto em dias 'normais'. Uma mostra de que a comunidade, apesar da pouca atenção governamental que vem recebendo, já ultrapassou a barreira dos folhetos turísticos e consegue mostrar-se como um bom atrativo para a região.

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Jornal do Commercio
Recife - 06.07.2000
Quinta-feira