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ESPETÁCULO Emoção bate forte no Festival de Parintins por Julliana de Melo* No coração da Floresta Amazônica, entre a altivez de um povo guerreiro e a exuberância do Rio Amazonas, acontece mais uma vez, o espetáculo dos bois-bumbás de Parintins, que a cada ano vem atraindo milhares de turistas brasileiros e estrangeiros ao arquipélago de Tupinambarana, a 420 quilômetros de Manaus. Todo ano, sempre nos dias 28, 29 e 30 de junho independente do dia da semana que a data cair , a pequena cidade ribeirinha de apenas 7 mil quilômetros quadrados se enche de cores e alegria para mostrar ao mundo a encenação dos ritos, seres imaginários e lendas indígenas, marcados profundamente na sua gente e em seus costumes. Desde que foi oficialmente regulamentado, em 1966, o Festival Folclórico de Parintins viveu no final de semana passado, pela primeira vez em sua história, um empate técnico entre as duas únicas agremiações, com 654,5 pontos cada uma. Rivais ufanistas das cores vermelho, representando o Garantido, Boi do Povão, até então com o total de 20 vitórias; e azul, representando o Caprichoso, Boi da Elite, com 14; os bumbás puderam comemorar juntos o último título do milênio. O resultado chegou a surpreender muitos torcedores, que esperavam uma celebração mais azulada nesta 35ª edição. Na última noite da festa, o Caprichoso, que se apresentou mesmo com a falta de luz, deixou de receber nota pelo jurado Dárcio Galvão em três importantes itens de julgamento (Levantador de Toadas, Ritual e Evolução), prevalecendo a nota mínima, que é sete. O presidente da agremiação Joílto Azedo não escondeu sua indignação: Não entendi. Como é que um jurado deixa de dar três notas numa noite?. Mesmo com o título dividido, no entanto, as galeras (torcidas) azul e branco e vermelho e branco vibraram bastante, saindo em passeatas para os festejos nos currais (sedes), cada qual para sua área da cidade, que é incrivelmente separada pelo amor e fanatismo ao boi brincante. ESTRUTURA O Bumbódromo, espaço em formato de arena onde acontece o evento, fica absolutamente lotado, mesmo com os cerca de 30 mil lugares disponíveis, 95% deles gratuitos e igualmente dividos para as galeras das nações azul e vermelha. Para contemplar o espetáculo, o público começa a chegar à arena logo cedo, com o sol ainda a pino, esperando pacientemente até chegar a noite, quando, pontualmente, às 21 horas, se inicia a festa junina tradicional da cidade e a mais importante manifestação cultural do Estado amazonense. Cada Boi apresenta, diariamente, três horas ininterruptas de pura adrenalina, com direito a shows pirotécnicos, conjuntos diferentes de alegorias (com até 20 metros de altura) e cerca de 4 mil integrantes, entre ritmistas (Marujada do Caprichoso; Batucada do Garantido) e bailarinos. O ponto alto da exibição, que é o tempo todo animada pelo apresentador da agremiação e o levantador de toadas, fica a cargo dos rituais indígenas. Depois da entrada das tribos e das alegorias, uma combinação de efeitos visuais e sonoros marca a encenação dos rituais e lendas caboclas, que acabam virando o enredo de cada agremiação, como o Gigante Juma, a Cobra Grande, o Boto Cor-de-Rosa e outros. Nesse instante, o público passa a participar ativamente da competição, utilizando velas, lanternas e outros tipos de artefatos que produzem movimentos ritmados e devidamente sincronizados com o restante das coreografias e das encenações realizadas no palco. A torcida aliás, é um show à parte, energizante e fundamental. Uma curiosidade: enquanto uma agremiação está se apresentado, a galera contrária permanece em total silêncio. Entre os vinte itens julgados, como Rainha do Folclore, Cunhã Poranga (menina bonita), Porta-estandarte e Fantasias Luxo, a galera exerce importância igualmente valorizada na pontuação. Outro momento especial da festa acontece quando o boi de pano aparece em cena. Geralmente, utilizando de elementos surpresa, a aparição chega a causar euforia e, não raro, lágrimas nos olhos dos mais emotivos. Ao contrário dos outros bois realizados no Nordeste, o bumbá amazonense conta com variantes como a introdução do índio, do pajé e dos elementos tribais, valorizando muito mais a figura indígena do que a negra, que introduziu o auto do boi na região, durante a imigração nordestina durante o ciclo da borracha. * A repórter viajou a convite da Coca-Cola |
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