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ESPETÁCULO III
Um belo encontro com o Brasil caboclo

Com a simplicidade de suas casas coloridas e a tranqüilidade que paira no clima de suas ruas arborizadas, Parintins guarda em si uma certa magia, que envolve a todos desde o momento em que se avista a cidade lá do alto, pela janela do avião, permeada por vegetação de várzeas. Como diziam os seus ancestrais: um verdadeiro noçóken, um paraíso escondido.

No passado, segundo o pesquisador e jornalista Paulo José Cunha, já viveram no local as tribos guerreiras dos tupinambás, maués, sapupés, peruvianas, mundurucus e parintintins. Não é para menos que seus descendentes incorporaram a cultura indígena tão fortemente.

Com traços marcantes, cabelos lisos, olhos puxados e pele acobreada, sua gente é bastante calorosa com a chegada dos visitantes, que praticamente dobra a população local de 80 mil habitantes no período de festas. De fala mansa e jeito calmo, os moradores fazem questão de receber o turista em suas casas ou até servir de guia, mostrando orgulhosamente a ilha. Por isso, aproveite a receptividade e conheça toda a região.

Um passeio a pé pelo centro é um bom começo. No porto, onde estão ancoradas as embarcações vindas de Manaus, a festa é garantida (ou caprichada) durante todo o dia. Bandas de músicas e carros de som tocam sem parar as toadas das agremiações. Simplesmente contagiante. Feirinhas de artesanato e barracas de comidas típicas completam o cenário. Não saia de lá sem experimentar o tradicional tacacá (espécie de sopa feita de uma planta com efeito anestésico, goma e caldo retirados da farinha de mandioca e camarão) e os peixes fritos (moquecas, tambaqui, bodó).

Nas proximidades, é possível avistar a quilômetros de distância a imponente edificação da Catedral de Nossa Senhora do Carmo. Projetada na Itália e construída em 1962, o monumento é todo de tijolo aparente. Mais adiante, encontra-se também a Igreja de São Benedito, fundada em 1795, a primeira igreja de Parintins.

Como a época é de verão amazônico, vale a pena programar um passeio de barco pelo Rio Amazonas e pelo Lago Macurany, este último reduto de intermináveis encontros festivos. Durante o trajeto, a Vila Amazônica aparece entre as lajes de pedra das corredeiras do rio. O vilarejo possui ruínas e construções nipônicas resultantes da imigração japonesa, que na década de 30, deslocou-se para a região, estimulada pelo cultivo da juta.

O nativo Jonathan Ribeiro, que também é levantador de toadas e guia nas horas vagas, conta uma das lendas amazonenses de que “quem mergulhar nas águas do Macurany nunca mais sai daqui”. O banho em suas águas negras é uma delícia e promete ser uma ótima desculpa para voltar no próximo ano. (J.M.)

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Jornal do Commercio
Recife - 06.07.2000
Quinta-feira