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PREMIAÇÃO
Grande Prêmio Brasil consagra Orfeu e Auto da Compadecida

por Kleber Mendonça Filho

Petrópolis – O Brasil já tem a sua grande premiação anual para a produção áudio-visual, no mesmo estilo do Goya espanhol, o Cesar francês e o Oscar americano. A cerimônia de entrega do I Grande Prêmio Cinema Brasil, promovido pelo Ministério da Cultura, aconteceu na noite de sábado, no luxuoso Hotel Quitandinha, em Petrópolis, com a presença de praticamente todos os que fazem, fizeram, ou pretendem fazer o Cinema Nacional.

Orfeu, de Carlos Diegues, foi eleito Melhor Filme Brasileiro numa provável manifestação política de apoio à obra, que é a escolha oficial do Brasil para o Oscar 2000. Já a série Auto da Compadecida, baseada na obra de Ariano Suassuna e produzida pela Rede Globo, faturou a categoria de melhor série para a TV.

A cerimônia teve como apresentadora a atriz Regina Casé, vestida como alguma emissária da escola de samba Mangueira (cor de rosa, cocá, plumas). Ela apresentou uma montagem de cenas importantes da produção brasileira ao longo dos anos. Comemorou também o fato de Xuxa Requebra, de Tizuka Yamazaki, ter fechado a temporada como o campeão de bilheteria entre estrangeiros e nacionais.

A distribuição de prêmios foi iniciada no formato comum a cerimônias do tipo, com direito até a discursos políticos.. As premiações foram intercaladas com apresentações musicais ao vivo de concorrentes na categoria trilha sonora (Ivan Lins, Zizi Possi, Naná Vasconcelos) e prêmios especiais para homenageados (Vera Fischer, Zezé Motta, Anselmo Duarte, Fernanda Montenegro).

Marcelo Masagão, diretor de Nós Que Aqui Estamos, Por Vós Esperamos, subiu ao palco para receber o Prêmio Luiz Severiano Ribeiro de Melhor Lançamento Nos Cinemas. De qualquer forma, Masagão disse ao microfone: “Infelizmente, não tenho motivo algum para comemorar, especialmente toda vez que tento convencer minha gerente no banco de que menos é mais”. Masagão levou também o troféu de Melhor Montagem.

O prêmio de Melhor Roteiro foi dividido entre O Primeiro Dia (Daniela Thomas, João Emanuel Carneiro e Walter Salles) e Dois Córregos (Carlos Reichenbach). O Primeiro Dia levaria ainda Melhor Ator (Matheus Nachtergale) e Melhor Direção (Thomas/Salles). Thomas emocionou-se ao receber o prêmio de Direção e agradeceu ao seu parceiro Walter Salles, que não compareceu à cerimônia por estar no júri do Festival de Berlim.

Caetano Veloso (Orfeu) dividiu o troféu Antônio Carlos Jobim de Trilha Sonora com o Grupo Uatki (Outras Estórias). Affonso Beato, fotógrafo de Orfeu, estava presente e aproveitou para levar o Prêmio de Fotografia. Embora longe da perfeição (a fantasia de Casé, ritmo lento), a festa de entrega dos prêmios (orçada em R$ 700 mil) não importou cacoetes do Oscar, embora os convidados anunciassem espontaneamente “...o prêmio vai para...”, ao invés de “o vencedor é...”. Deu um ponta pé inicial numa premiação que, com o tempo, poderá servir de padrão oficial e popular para o Cinema Nacional.

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Jornal do Commercio
Recife - 14.02.2000
Segunda-feira