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SINDICALISMO
Servidor estadual da saúde volta ao trabalho

Depois de nove dias de greve, os servidores estaduais da saúde decidiram, ontem, retornar ao trabalho a partir de hoje. A volta foi resolvida em uma assembléia realizada, no Hospital da Restauração, após o movimento ter sido considerado ilegal pelo Tribunal de Justiça de Pernambuco. Mas apesar do retorno às atividades, eles prometem permanecer em ‘estado de greve’ até que o Governo do Estado apresente uma proposta de aumento salarial.

Além da reposição das perdas por seis anos sem reajuste - o que pelos cálculos do Sindicato dos Servidores da Saúde e Seguridade de Pernambuco (Sindsaúde) corresponderia a um índice de 85% - os funcionários também querem negociar uma pauta com outros 25 pontos. Entre as propostas dos sindicalistas são exigidas melhorias nas condições de trabalho, reposição dos tíquetes-alimentação e implantação de uma política de cargos e carreira para a área de saúde.

O diretor de Imprensa do Sindsaúde, Sandro Gomes, afirmou que a maioria dos servidores ligados a Secretaria Estadual de Saúde não recebem salários superiores a R$ 145,00. Os médicos lotados em ambulatórios ganham, de acordo com o sindicalista, uma média de R$ 450,00, enquanto aqueles que trabalham no Hospital da Restauração têm remuneração em torno de R$ 563,00. “Se os médicos estão ganhando igual aos funcionários terceirizados que limpam o chão, imagine como está a situação daqueles que não têm nível superior. Não temos como continuar aceitando isto de forma passiva”, comentou.

Ele ressaltou que a volta ao trabalho só aconteceu porque havia a ameaça de a Justiça decretar a prisão dos líderes do movimento e aplicar uma multa diária de R$ 50 mil pelo descumprimento da determinação judicial. “Mesmo assim, vamos continuar em estado de greve”, disse.

O sindicalista informou que o Sindsaúde voltará a se reunir com o Governo do Estado para negociar, sexta-feira. Mas já avisou que, se a negociação não avançar por inflexibilidade dos representantes do governo, o sindicato voltará a defender a greve no setor de saúde. “Também queremos que o governo envie uma pessoa com poder de decisão. Não aceitaremos participar de mais uma reunião que não vai resolver nada”, advertiu.

Independentemente do que for acertado com o Governo do Estado, o Sindsaúde já anunciou que no dia 5 de julho participará do fórum promovido pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) para que todos os funcionários públicos estaduais paralisem suas atividades. “O estado vai parar de uma vez”, comentou.

Na avaliação dos sindicalistas, a paralisação de nove dias serviu para mostrar a força dos servidores e também para receber várias denúncias sobre o descaso com a saúde pública. Os fatos apurados pelo Sindsaúde serão investigados pelo Ministério Público.

A Secretaria de Saúde foi procurada para comentar o fim da greve, mas a assessoria de imprensa informou que o secretário Guilherme Robalinho estava viajando e o adjunto, Tito Lívio, participava de uma reunião.

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Jornal do Commercio
Recife - 15.06.2000
Quinta-feira