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TRANSGÊNICO
MP exige certificado para liberar milho

O Ministério Público Federal vai propor hoje à Justiça Federal uma ação para condicionar o descarregamento de 37 mil toneladas de milho no Porto do Recife, na terça-feira (20), à apresentação de um certificado de que os grãos não são transgênicos, ou seja, modificada geneticamente. O navio Norsul Vitoria, inicialmente com a chegada prevista para domingo, vem da Argentina.

A decisão foi tomada ontem à noite, pelos procuradores da República Marcos Costa e Paulo Fontes, depois de receberem uma carta da entidade ambientalista internacional Greenpeace, denunciando que o milho poderia ser transgênico. A suspeita também foi publicada ontem com exclusividade pelo Jornal do Commercio.

O milho importado da Argentina e já comercializado no Recife também será investigado pelo Ministério Público Estadual. Dois promotores de Justiça foram designados ontem para o caso. O promotor Geraldo Margella Correia, coordenador do Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Justiça de Defesa do Meio Ambiente do Ministério Público Estadual, considera que os grãos devem ter um certificado quando forem transgênicos. “Primeiro vamos averiguar se os grãos que estão sendo vendidos são modificados geneticamente. Só depois iremos tomar providência”, diz.

IMPORTAÇÃO – A empresa Cargill, que está importando o carga, não quis se pronunciar sobre o assunto. De acordo com a coordenadora da Campanha de Engenharia Genética do Greenpeace, Mariana Paoli, há estimativas de que 15% a 20% do milho produzido na Argentina seja transgênico. Ela diz que, na maioria das vezes, os grãos modificados geneticamente são misturados aos não-transgênicos, dificultando a identificação do produto.

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Jornal do Commercio
Recife - 15.06.2000
Quinta-feira