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CONTAS PÚBLICAS Compesa tem R$ 20,9 milhões a receber Apesar de estar entre as empresas do Estado que vão retirar benefícios dos empregados para reduzir custos, a Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa) precisa lidar hoje com um rombo de R$ 20,98 milhões. Esse é o total da dívida que 97 consumidores têm com a estatal. O levantamento foi apresentado pelo deputado estadual Sérgio Leite (PT) e diz respeito ao débito registrado até o último mês de abril. O Hospital do Câncer está entre os principais devedores, com um passivo de R$ 2,4 milhões com a estatal. O Terminal Rodoviário (TIP) também está na lista, apresentando um débito de R$ 1,5 milhão. Se houvesse um esforço da Compesa em cobrar essas dívidas, talvez não fosse preciso cortar despesas com pessoal, avaliou Leite. Os 3,8 mil compesianos serão prejudicados pelo decreto do governador Jarbas Vasconcelos, que estabelece normas no processo de negociação coletiva entre a categoria e a Companhia. Dentre as medidas previstas no decreto, estão cortes no vale-refeição, vale-transporte, na gratificação de férias e retirada da participação da empresa na cobertura dos custos com assistência médico-odontológica. A medida também atingiu outras estatais, principalmente aquelas que fecharam o ano passado com déficit. No caso da Compesa, o prejuízo no exercício de 1999 foi de R$ 76 milhões. A despesa com folha de pagamento de pessoal e encargos, entretanto, é uma das maiores da Compesa. Mensalmente, a empresa gasta R$ 8,5 milhões. Com assistência médico-odontológica dos empregados, o custo é de R$ 360 mil. O deputado também criticou o tratamento diferenciado dado aos consumidores. Hoje um cidadão que não paga suas dívidas tem os serviços de abastecimento cortados, mas algumas dessas empresas devedoras não são prejudicadas, comparou Leite. O Jornal do Commercio procurou a diretoria da Compesa, mas não houve retorno. O assunto será abordado pelo deputado, hoje, durante sessão na Assembléia Legislativa. DÍVIDA O débito de R$ 20,98 milhões, entretanto, representa apenas uma fatia da dívida dos consumidores com a Companhia. O levantamento tomou como base os maiores devedores. De acordo com o Sindicato dos Urbanitários, esse valor pode chegar a R$ 50 milhões. Dentre os devedores, alguns já quitaram seus passivos. É o caso do Palácio do Governo, que até o início de maio tinha um débito de R$ 10 mil. Caso conseguisse o pagamento dessas dívidas, a arrecadação da Compesa ganharia maior fôlego. No mês de abril, a estatal arrecadou R$ 12,6 milhões. O menor resultado desde o início do problema de desabastecimento de Pernambuco. No mês de maio, a arrecadação foi de R$ 13,5 milhões e o faturamento total (que inclui a prestação de serviços) foi de R$ 15,5 milhões. Na época em que as barragens que abastecem Pernambuco estavam cheias, em 1998, o faturamento era de R$ 22 milhões. A empresa também precisa melhorar as contas para se tornar mais atrativa. Em processo de privatização, a expectativa é de que a Compesa seja vendida no início do próximo ano. |
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