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PREÇOS
Alta do petróleo assusta consumidores

LONDRES – Os preços do petróleo atingiram ontem os níveis mais altos do ano, devido ao temor de que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) se negue a aumentar a produção em sua reunião da semana que vem, em Viena. Ao mesmo tempo, as reservas norte-americanas estão diminuindo.

Em Londres, o barril do petróleo tipo brent para entrega em julho se manteve em US$ 31, enquanto em Nova Iorque, o light para julho superava os US$ 32, ontem.

No primeiro trimestre, a maioria dos membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) havia manifestado o desejo de estabilizar os preços, mas o cartel parece agora estar satisfeito com os preços altos.

Vários produtores sustentam que a alta atual não se deve a um déficit da oferta de petróleo e sim à alta do preço da gasolina nos Estados Unidos. A maioria dos membros da Opep insinua que o cartel não aumentará sua produção na próxima reunião.

Frente ao silêncio do Irã e Venezuela, têm pouco peso os argumentos de México e Noruega (que não fazem parte da Opep) em favor de um aumento da produção. Os analistas concordam que a situação atual do mercado é desconcertante.

Segundo Lawrence Eagles, da corretora londrina GNI, o cartel perdeu credibilidade depois de não respeitar a promessa de abaixar ou aumentar automaticamente sua produção em 500 mil barris diários se o preço do petróleo sair dos limites de US$ 22 e US$ 28 o barril durante 20 dias. O limite de alta foi ultrapassado na última quarta-feira, sem reação da Opep.

Vários membros da Opep produzem atualmente em capacidade máxima, enquanto os que têm capacidade suplementar são Arábia Saudita, Kuwait, Emirados Árabes Unidos e Venezuela. O ministro do Petróleo da Arábia Saudita, Ali Naimi, afirmou que não descarta o aumento da produção. Ele afirmou que a principal razão para os preços do petróleo cru estarem em alta é a condição apertada dos estoques.

Enquanto os grandes produtores de petróleo não definem o aumento da produção, cresce a inquietação nos países consumidores, sobretudo nos Estados Unidos.

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Jornal do Commercio
Recife - 15.06.2000
Quinta-feira