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O DIA MAIS ROMÂNTICO DO ANO

por Leonardo Spinelli

Chegou a vez do final de semana mais romântico do ano. Como o Dia dos Namorados cai justamente na segunda-feira, muitos pombinhos vão antecipar as comemorações para o sábado e domingo. São várias as programações voltadas para o público nestes dois dias, tudo muito óbvio, é verdade, e sem muita privacidade, item indispensável quando se fala na data. No entanto, com um pouco de criatividade dá para sair do lugar comum e curtir um programinha a sós bem romântico. Claro que na maioria das vezes não dá para fugir do kitsch, afinal de contas, estamos falando do sentimento mais colorido do ser humano: o amor.

Isto é fato e ninguém liga muito para os ‘micos’ de uma relação intensa. Tanto que alguns casais nem se importam em dizer no jornal qual o programa mais romântico para o ‘final de semana da paixão’. O publicitário Arlindo Grundi, por exemplo, está com o seu amor desde a quarta-feira passada em algum trecho deserto da Praia de Pipa (RN).

Ele resolveu radicalizar e alongou o seu Dia dos Namorados, devidamente abastecido de quatro garrafas de Veuve Cliquot. “Não poderia ser outro champanhe. Tem de ser um especial, ou então não funciona”, revela o rapaz. “Pipa é um lugar paradisíaco, afrodisíaco. Não tem local melhor para namorar: na praia, no mar, no carro, no hotel...”, derrete-se em cor-de-rosa.

Romântico, não? E que tal cometer uma pequena loucura, declarar seu amor em baixo de chuva, tentando achar a rima perfeita para casar com o coração? É mais ou menos isso que o DJ Djalma Andrade, da Transamérica, vai tentar repetir nos próximos dias. Em seu tórrido relacionamento com a atendente Cybelle Vasconcelos, nem um toró apagou o fogo do casal. Estavam abraçadinhos assistindo a um filme quando começou a chover.

O Recife estava a se afogar em alagamentos e engarrafamentos quilométricos, e os dois lá, no Centro, correndo embaixo da chuva. “A gente sempre planejou correr sob um temporal. Voltamos meia-hora depois ensopados, tomamos banho, nos aquecemos do frio e fizemos amor. Vamos tentar repetir”, relembra Djalma, que vai ter de rezar muito para Santo Antônio convencer São Pedro.

Chovendo lá fora, tudo fica mais romântico aqui dentro. Este também é o clima que o músico Zé da Flauta está esperando para o final de semana. Regando o amor de 25 anos com a mulher Glaucia Oliveira ao sabor de um vinho encorpado e ao ritmo de um filmezinho romântico, este é o melhor programa para o casal. A razão para se confinar em casa é um tanto pragmática. Mas qual é o relaciomento que depois de duas décadas, dois filhos e um neto, não troca a emoção pela razão? “A cidade está muito violenta. Cada vez fico mais paranóico com o perigo de sair à rua”, previne-se.

A rebolante Gretchen também prefere não arriscar muito. Até porque, depois de vários casamentos, ‘risco’ não deve ser um palavra doce de ser pronunciada. Ela e seu maridão, o empresário Leonardo Barreto, apostam no infalível jantar à luz de velas. Os dois estão casados há um mês e meio. “Gostamos de uma coisa mais tranqüila, até por causa da agitação do meu dia-a-dia”, explica, encarnando o jeito Edith Piaf de ser. Claro, que, em se tratando de Gretchen, a ‘recaída’ tropical-brucutu não demora a aparecer. “Mas o que eu gostaria mesmo, era levar um trio elétrico para a frente do trabalho dele e cantar uma música. Infelizmente não vai dar.”

Até mesmo os programas mais comuns podem se transformar numa inusitada diversão a dois. A socióloga Mariana Florêncio vai passar o seu Dia dos Namorados com o respectivo, Paulo Melo, num pagode. O casal nunca curtiu junto um sambinha romântico e este é plano da garota. “Seria legal ir num local na qual nunca fomos”. O difícil vai ser convencer Paulo Melo. Ele não vai com a cara dos pagodeiros.

Melo deveria deixar o preconceito de lado e ver que para o amor não existe fronteiras. Pelo menos é isto o que tenta provar o casal Romildo Alves (produtor de moda) e Alexandro Sena (modelo), homossexuais assumidos desde o início do namoro, há quatro anos. “O mais difícil é contar para a família. Mas quando há o amor, é muito mais fácil assumir, pois ele te dá coragem”, pensa Sena. Como não poderia deixar de ser, o casalzinho gay já tem uma programação para este final de semana especial. Mas em se tratando de programas, são muito mais ortodoxos. “Vamos curtir uma boate e depois vamos pegar uma praia. Itamaracá ou Tamandaré”, agenda Alves.

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Jornal do Commercio
Recife - 09.06.2000
Sexta-feira