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COMPORTAMENTO O amor de todas as maneiras por Mona Lisa Dourado Não importa o perfil ou a ocasião. A idade, a cor da pele, a condição sexual ou preferência sexual. Seja entre idosos ou adolescentes, brancos ou negros, hetero ou homossexuais. Numa quarta-feira de cinzas, numa noite de São João ou num bate-papo eletrônico, chega um momento em que o amor, inevitavelmente, acontece. Na véspera do dia mais romântico do ano, o Caderno Família reuniu seis diferentes casais, cada qual com suas histórias de encontros, desencontros e finais mais do que felizes. E como todo romance que se preza começa sempre com um beijo, esta edição traz, também, dois textos sobre assunto. Para completar o clima, chefs e proprietários de buffets e restaurantes badalados da cidade dão dicas de como montar um jantar a dois, com direito a velas, flores e um delicado repertório musical. Desde que recebeu um bom-dia, numa manhã qualquer da década de 60, bastava sentir o perfume da pequena e bela Irene para que Jucilo, 72 anos, corresse ao portão para admirá-la. Sabia que o seu amor era proibido (ambos eram casados), mas não desistiu de tentar conquistá-la. O coração fala. A gente sente quando encontra a pessoa certa. Eu sabia que um dia ia me casar com aquela mulher, recorda. Foram sete anos de paixão platônica até que, na noite de São João de 1967, enquanto ele fazia uma fogueira na frente de casa, o sentimento falou mais alto que o receio, e a inibição e Jucilo se declarou. Para seu espanto, a reação dela não foi negativa. Senti que havia muita sinceridade e simplicidade nele, e resolvi pensar no assunto com carinho, porque o meu casamento há muito não era feliz, lembra Irene, que, na época, tinha 38 anos. Alguns meses depois de muitas conversas e reflexões, os dois fugiram de casa e foram morar juntos. Levamos apenas documentos, roupas e objetos pessoais, mas o maior sofrimento foi termos de nos separar dos nossos filhos, revela Irene. Hoje, às vésperas de comemorar 33 anos de união, Irene e Jucilo contam que, apesar dos traumas, todos os riscos e renúncias valeram a pena. Aos risos, dizem que o amor e o desejo que sentem pelo outro, além da satisfação de estarem juntos, são os mesmos do início da relação. O segredo de conservar por tanto tempo esses sentimentos, Irene resume em poucas palavras. Confiança, perseverança, companheirismo e paciência para resolver as diferenças são fundamentais. No caso de Cilo, encanta-me a alegria e a espontaneidade dele em todas as circunstâncias, inclusive as mais difíceis. Não sei ficar longe dela. Encontrei meu par de jarro, e dou graças a Deus por isso. Só a morte mesmo para nos separar, rebate Jucilo. Para homenagear sua musa no Dia dos Namorados, ele compôs uma marchinha de Carnaval, que representa um flash back de sua história. A minha cabeça dói; e de viver pensando em ti; pensei demais; quase que enlouqueço; passei por isso para lhe conhecer. Ela é muito bonita; quando a vi por ela me apaixonei; no decorrer dos anos; com esta linda mulher eu me casei. Guardando toda a inocência e as ilusões que a idade permite, com direito a troca de juras de amor eterno, cartões e declarações apaixonadas na agenda, Alinne, 15 anos, e Leonardo, 16, completam um ano e três meses de namoro sério amanhã. Confessam que são uma exceção em tempos de relações efêmeras e descompromissadas, principalmente entre adolescentes, mas garantem que namorar ainda é bem melhor do que ficar. Apesar de morarem, desde que nasceram, a poucas ruas de distância, no bairro de Ouro Preto, em Olinda, os pombinhos só se connheceram na quarta-feira de Cinzas do Carnaval do ano passado, apresentados por um amigo em comum. Mas o namoro começou mesmo à moda antiga, no portão da casa dela. Depois que a gente passou semanas conversando, numa noite linda, ele trouxe de presente um CD que eu adorava e me disse que eu era muito bonita, que tinha se encantado pelos meus olhos e que não parava de pensar em mim. Aí não resisti, recorda a suspirante Alinne. Desde então, para preocupação dos pais da garota, o casalsinho não se desgruda mais. Nos finais de semana, vamos sempre juntos às festas, aos shows, ao cinema, ao shopping ou a qualquer outro lugar, confirma Leonardo. Como as saídas não são suficientes, também se vêem durante a semana, antes ou depois da aula, e se falam ao telefone várias vezes por dia. É que não dá para segurar a saudade, justificam. Eles são capazes de passar horas enumerando as razões que os fizeram se apaixonar um pelo outro. O Léo é um menino quase impossível de existir hoje. Ele não bebe, não fuma, é carinhoso, gentil e fiel, muito diferente dos outros, derrete-se Alinne. Leonardo não deixa por menos. Os meus amigos dizem que sou besta e dominado porque não fico com outras meninas, mas, com a namorada que tenho, não dá vontade mesmo. Ela também é o tipo díficil de se achar hoje. Para agradar seu amorzinho, como costuma chamá-la carinhosamente, Léo costuma cantarolar músicas românticas ao seu ouvido enquanto namoram no jardim. Apesar de, tanto ele como ela só terem namorado uma pessoa antes de se econtrarem, o casal não economiza nos planos para um futuro comum. Assim que a gente terminar os estudos e conseguir um trabalho, vamos nos casar, prevê Leonardo. E passar o resto do Dia dos Namorados da vida juntos, completa Alinne. |
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