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REUNIÃO DE CÚPULA
Reunificação das Coréias começa a sair definitivamente do papel

por Pepe Escobar
Agência Estado

SEUL – O sol voltou finalmente a nascer sobre a reconciliação nacional, a reunificação e a paz. Assim, um emocionado presidente Kim Dae-jung, no que ele mesmo considera o clímax de sua carreira política, definiu a assinatura, ontem em Pyongyang, de um amplo acordo que deve, na prática, instaurar a détente entre as Coréias depois de meio século de hostilidades.

O que foi assinado – observam funcionários governamentais em Seul – é na verdade a aplicação de temas que já figuravam em um exaustivo Acordo Básico de 1991. As Coréias viviam criticando-se porque ninguém cumpria esse acordo. Agora, pelo menos em tese, devem começar a cooperar em quatro temas-chave: reconciliação e reunificação inter-Coréias; redução de tensões e estabelecimento de paz na península; reunião de famílias separadas; e cooperação econômica, social e cultural.

Tudo isso, claro, é muito vago: o demônio está na aplicação. Cautelosos, os sul-coreanos não divulgaram detalhes. Mas a partir de agora, segundo DJ, os dois líderes vão falar diretamente um com o outro. Deve, em tese, ser instalado um telefone vermelho. Deve haver liberdade de viagem e de correspondência entre coreanos dos dois lados. Como o primeiro passo de uma longa marcha, DJ está certo ao proclamar a cúpula um sucesso. O Norte conseguiu o que queria: dinheiro e investimentos. O Sul conseguiu o que queria: mais contato humano. A demonização mútua está, em tese, enterrada.

“Não concordo com minha descrição pela mídia ocidental como um recluso. Visitei a China, a Indonésia e até os Estados Unidos várias vezes. Também disseram que a visita do presidente Kim me libertou de uma vida de eremita. Se foi o caso, não me importo.” Assim falou o Querido Líder Kim Jong-il a DJ no início de sua cúpula-maratona de ontem, que durou duas horas e 20 minutos. Neste encontro crucial foram discutidos os intratáveis problemas da península.

Segundo o pool de mídia sul-coreano admitido em Pyongyang, Kim Jong-il revelou-se exuberante em todas as aparições públicas, até contando piadas.

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Jornal do Commercio
Recife - 15.06.2000
Quinta-feira