LG_jc.gif (3670 bytes)

CPI DO NARCOTRÁFICO
Envolvimento de Eudo em processos ‘constrange’ a CPI em Catende

A CPI do Narcotráfico e da Pistolagem realizou uma diligência, ontem, no município de Catende – Mata Sul do Estado – onde visitou o Fórum do município e a delegacia de polícia. No Fórum, os deputados tinham por objetivo verificar os motivos da demora na conclusão dos processos do assassinato dos ex-vereadores de Catende Fábio Tomé e José Inácio Loyola, e do assaltante Eribaldo Balbino Moraes, ligado a quadrilha de Severino Lira, o Falcão, ocorridos nos anos de 92, 95 e 98 respectivamente. A CPI havia recebido denúncias de que o presidente da Câmara de Catende, vereador Rildo Brás(PMDB), estaria envolvido nos crimes e estaria impedindo o desenrolar das investigações. No entanto, os deputados foram surpreendidos ao descobrir que o nome do deputado cassado Eudo Magalhães(sem partido), constava nos processos de Inácio Loyola e de Fábio Tomé.

Após a surpresa, a CPI tratou de descartar o envolvimento de Eudo, apontando sempre as pessoas que estavam sendo acusadas nos processos. Constrangidos, os parlamentares tentavam desviar as perguntas da imprensa sobre o envolvimento do ex-deputado. Desde a semana passada a CPI descartou a possibilidade de chamar Eudo para depor, apesar de ter recebido várias denúncias contra ele.

Os deputados continuam afirmando que não desejam ser conhecidos como a ‘CPI de Eudo’. “Não iremos chamar Eudo, o caso dele está com o Ministério Público. A Assembléia já cumpriu o seu papel com a sua cassação”, defendeu o presidente da CPI, Pedro Eurico(PSB). Na ocasião, o juiz Ailton Soares cedeu cópias dos três processos e mais 15 inquéritos à comissão.

O principal acusado da morte de Fábio Tomé é ‘Alan Figueirôa’ – cujo nome verdadeiro, segundo informações da polícia, seria Antônio Felizardo – ex-funcionário do gabinete de Eudo quando o ex-deputado era prefeito de Água Preta. ‘Alan’ também foi secretário durante a administração do sobrinho de Eudo, César Romero, também na Prefeitura. Em um dos depoimentos do processo, o juiz classista de Catende, Epitácio Vieira, afirmou que estava na presença de Eudo e ‘Alan’ quando este último comentou que seus irmãos Cissão e Gabriel teriam assassinado Fábio Tomé.

Em seu depoimento, o juiz acusa o ex-prefeito de Catende, Milton Lins, de ser o mandante do crime. Em outro depoimento, o vereador Alexandre Moura Cavalcante afirma que, no dia do crime, Eudo Magalhães estava em Catende na companhia de ‘Alan’. Eudo, no entanto, foi arrolado como depoente no processo, e deverá ser ouvido pela Justiça.

No processo de José Inácio Loyola houve uma juntada do depoimento de José Felizardo, extraído do processo que investiga o assassinato do suplente de vereador, Marcos José da Silva, conhecido como ‘Marcos da Usina’, ocorrido em Água Preta. A juntada ocorreu porque uma só pessoa, Sebastião Felizardo, é acusado dos dois crimes. José Felizardo, que é irmão de Sebastião, afirma que a morte de Marcos teria sido encomendada por César Romero, então prefeito de Água Preta, e por Eudo Magalhães. César teria pago R$ 4 mil reais pelo ‘serviço’. Ele responde pela acusação no Tribunal de Justiça. A CPI vai pedir uma cópia, para verificar os detalhes do processo.

_________________________________________


Jornal do Commercio
Recife - 15.06.2000
Quinta-feira