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CPI DO NARCOTRÁFICO II
Juiz afirma que tráfico de influência ‘emperra’ processos

No Fórum de Catende, a CPI recebeu ainda explicações sobre a demora para a conclusão de processos e inquéritos. Segundo o Juiz Ailton Soares, existe um ‘poder ilegítimo’ na região, alguns prefeitos recebem ordens de pessoas influentes e quando acontecem crimes políticos, “todos se calam”. O juiz apontou a fragilidade na elaboração dos inquéritos, citando um caso em que as investigações começaram em 89 e só chegaram ao Judiciário este ano.

Com relação ao remanejamento de policiais, Soares diz que a situação piorou. Segundo ele, os 12 policiais de Catende foram transferidos para Água Preta e os 19 de Água Preta estão em seu município. “Não confiamos nos policiais que vieram de Água Preta. A troca ampliou o campo de atuação deles”, acusou.

O delegado de polícia, Antônio Carlos, reclamou da falta de estrutura para investigações. Em Catende, há apenas 3 policiais e um delegado. Ao todo, 131 policiais tomam conta dos 19 municípios da Mata Sul. “Teríamos que ter pelo menos o triplo”, disse. Na delegacia, a CPI ouviu os presidiários Manoel Cassimiro, preso por tentativa de extorsão a Rildo Brás, e Luis Carlos da Silva, que segundo Manoel, teria roubado cargas para Rildo. Luis Carlos negou a informação, mas disse ter sido contactado uma vez pelo vereador para descarregar uma carga de charque, sem nota fiscal, às 2h30.

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Jornal do Commercio
Recife - 15.06.2000
Quinta-feira