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SÃO JOÃO II Interior de Pernambuco é só festa por Mona Lisa Dourado A temporada da fogueira e do forró já está aberta em Caruaru. Até o final do mês, quadrilhas, trios pé-de-serra, espetáculos de fogos de artificío e, até, casamentos matutos tomam conta da cidade. A concentração da festa acontece no Arraial Vitalino, onde, além de diversos estandes de artesanato e da réplica da casa do Mestre Vitalino, está instalado o Pátio de Eventos Luiz Gonzaga. Constituído por uma grande área para shows, dois palcos, restaurantes e barracas de comidas típicas, o pátio tem capacidade para 80 mil pessoas, embora chegue a receber 120 mil nos dias de maior animação, quando forrozeiros consagrados, a exemplo de Nando Cordel, Jorge de Altinho, Marinês e Dominguinhos, assim como artistas da terra, garantem o arrasta-pé. É no pátio de eventos onde está localizada, ainda, a Vila do Forró, reprodução de uma vila interiorana em que os turistas têm a certeza de estar vivenciando um autêntico São João do interior. Durante todo o período junino, eles são convidados a participar de uma encenação teatral em que atores locais incorporam personagens típicos do cotidiano da região, como o padre, as beatas, a parteira, a rendeira, a rezadeira, a rainha do milho, o soldado de polícia, o poeta, o prefeito e a primeira-dama, entre outros. Outro destaque da programação é o Desfile Junino, versão matuta dos desfiles carnavalescos, no qual 15 carros alegóricos percorrem os três quilômetros da Avenida Agamenon Magalhães, no centro, seguindo em direção ao pátio de eventos, acompanhados de carroças ornamentadas, banda de pífanos, grupos de dança e quadrilhas tradicionais. E as atrações não param por aí. Em cada bairro não falta disposição dos moradores para enfeitar as fachadas das casas, armar palhoções e montar fogueiras para pôr o milho para assar. Fora do pólo do Arraial Vitalino, são as quadrilhas estilizadas, popularmente conhecidas como drilhas, as responsáveis pelo clima de irreverência que faz a alegria dos visitantes. A mais antiga delas, a Gaydrilha, surgiu de uma conversa entre amigos numa mesa de bar, há mais de dez anos. Vinte rapazes travestidos de matutas resolveram sair dançando pelas ruas sem imaginar que a brincadeira fosse atingir as proporções alcançadas atualmente. Estima-se que, este ano, desfilem pelo menos três mil pessoas na Gaydrilha. Com o sucesso desta drilha, foram surgindo outras, com as mais diversas características. Hoje, existem onze agremiações, conduzidas por trios elétricos que arrastam multidões pelas ruas de Caruaru, ao som do forró nordestino. Entre elas estão a Trokadilha, a Machadrilha, a Sapadrilha, a Turisdrilha, a Piradrilha, a Babydrilha, a Melhordrilha, a Motodrilha e, até, a Forródog. Mas nem só de forró e quadrilha é feito o São João de Caruaru. As comidas típicas são um atrativo à parte, mesmo porque com as dimensões que elas são produzidas não poderiam passar despercebidas. Todos os anos a população local prepara os maiores bolo de milho, pé-de-moleque, cuscuz e pamonha do mundo, para que sejam saboreados por moradores e turistas. A queima da maior fogueira do mundo, na véspera do dia de São Pedro (comemorado em 29 de junho) é outro evento tradicional. Com seus 17 metros de altura, ela demora, no mínimo, 48 horas para se apagar, tempo suficiente para manter aceso o fogo dos forrozeiros que lotam o pátio do Convento dos Capuchinhos, onde a fogueira é montada. Uma novidade da programação junina de Caruaru deste ano é a Primeira Caminhada Missionária Franciscana, que comemora os 500 anos da presença dos franciscanos no Brasil, bem como homenageia os santos padroeiros das festas juninas Santo Antônio, São João e São Pedro. |
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