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Universidades corporativas por Mozart Neves Ramos* Estimativas indicam que as maiores empresas instaladas no Brasil devem investir, este ano, cerca de U$ 1 bilhão em programas de treinamento. Os investimentos, no entanto, serão direcionados, prioritariamente, para o desenvolvimento de competências e não mais para os tradicionais treinamentos de desenvolvimento de habilidades. Essa nova concepção está cada vez mais ocorrendo no contexto das chamadas universidades corporativas. Hoje, cerca de 40% das 500 maiores empresas mundiais, citadas na revista Fortune, possuem esse tipo de universidade. Na prática, são instituições voltadas para a educação permanente, com poucas instalações físicas, operando em sistema virtual, com base no conceito de que o aprendizado deve ocorrer a qualquer hora em qualquer lugar. Esse modelo de universidade busca desenvolver as competências, migrando do modelo exclusivo de sala de aula para as múltiplas formas de aprendizagem. O conceito de universidade corporativa surgiu nos Estados Unidos em 1955, quando a General Electric criou a Cotronville, disseminando-se com maior velocidade a partir da década de 80. Naquele país, nos últimos dez anos, essas unidades passaram de 400 para cerca de 2.000. Em 2010, elas podem ultrapassar o número de universidades tradicionais, hoje na casa de 4.000, conforme revela o informativo Interação do IEL-Nacional de abril. No Brasil, as universidades corporativas surgiram copiando o modelo de suas matrizes, como a Motorola, Ford e Banco de Boston, ou criando suas próprias experiências, a exemplo da Algar e da Alcoa. Recentemente, estive visitando a Alcoa, em Igarassu, uma das grandes empresas instaladas em Pernambuco, com a qual a UFPE mantém uma estreita cooperação. Fiquei bastante impressionado com o projeto estratégico de qualificação e desenvolvimento de recursos humanos da empresa, já dentro do espírito de universidade corporativa Alcoa. Um outro exemplo, a Boston School, do Banco de Boston, tem um projeto com o objetivo de desenvolver as competências essenciais, o que significa gestão e uma visão mais ampla e cultural. Além do público interno, procura também alcançar o externo, formado por clientes, familiares e fornecedores. Mesmo o velho tradicionalismo europeu se rendeu a este novo conceito de desenvolver competências e não mais apenas habilidades, apesar de não usar a denominação corporativa, mas aplicá-la na concepção. Muitas unidades corporativas vêm buscando parcerias com universidades tradicionais para validar diplomas de seus cursos, a fim de aproveitar créditos e proporcionar aos funcionários credenciais com grande valor curricular. Essa busca demonstra a necessidade da coexistência dos dois modelos, que, a meu ver, não competem entre si, como alguns chegam a pensar, e não representam ameaças mútuas porque têm missões distintas. Na verdade, a coexistência pode representar uma porta fantástica de cooperação no âmbito da integração universidade-empresa. Acabou-se o tempo em que a competição era apenas interna e os custos definiam os preços. A abertura da economia mundial, dos novos fluxos financeiros, através do comércio eletrônico, que já movimenta cerca de U$ 650 bilhões, está exigindo uma nova maneira de pensar e agir. Finalmente, é bom lembrar que entre a invenção da fotografia e a sua comercialização passaram-se 112 anos, do telefone, 56 e do rádio, 35 anos. A televisão já chegou ao mercado 12 anos depois de inventada, o transistor, após cinco, e o circuito integrado, com três. Da comercialização dos velhos computadores para o ATM 286, o tempo foi de um ano, mas do 486 para o Pentium, apenas um mês. * Mozart Neves Ramos é reitor da UFPE |
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