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MASSACRE Acusados negam crimes de sem-terra em Corumbiara PORTO VELHO O julgamento do Massacre de Corumbiara começou ontem na 1ª Vara do Júri, em Porto Velho, com o depoimento de três policiais militares, Airton Ramos de Moraes Daniel da Silva Furtado e José Emílio da Silva Evangelista, acusados pela morte de trabalhadores rurais sem-terra. No confronto entre policiais e sem-terra, na desocupação da fazenda Santa Elina, em 9 de agosto de 1995, morreram 11 pessoas nove sem-terra e dois policiais militares. Serão julgados 12 policiais militares e dois sem-terra. Ontem foi iniciada a leitura dos 27 volumes do processo, com cerca de 10 mil páginas, e a previsão é de que esta etapa seja encerrada na próxima quinta-feira. Não houve problemas no primeiro dia do julgamento, que deve se estender até o mês de setembro. Os três policiais militares que prestaram depoimento ontem reafirmaram que cumpriam ordens do capitão Di Carvalho, responsável por um dos nove agrupamentos militares que foram desocupar a fazenda Santa Elina. Eles alegaram que os procedimentos de retirada dos sem-terra foram decididos em uma reunião, na base em Vilhena, na noite do dia 8. Quando chegamos ao local, encontramos dois policiais feridos a bala, um deles, o tenente Fidélis, que eu socorri, morreu, disse o policial Airton de Moraes. Ele contou que seu grupo saiu às 4h30, e andou 1,5km dentro da floresta. Nossa intenção era a de matá-los (os sem-terra) pelo cansaço, disse Moraes. A juíza Sandra Santos perguntou se ele fez disparos. Sim, fiz alguns disparos com uma carabina 357 na tentativa de dar segurança ao tenente Fidélis, que fora baleado nas costas, disse. ACUSAÇÃO A presença dos sem-terra em Porto Velho ainda é tímida. Cerca de 350 militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra chegaram a capital em nove ônibus fretados pelo Fórum em Defesa das Vítimas do Massacre de Corumbiara, segundo a coordenadora Maria Santiago Lima. Como dispõem de pouco dinheiro R$ 47 mil para mobilização durante todo o julgamento , a intenção é concentrar-se no dia 25, para quando está previsto o julgamento dos sem-terra. Os sem-terra acusaram as cúpulas das Polícia Militar e Federal, que fazem a segurança no julgamento, de tentar intimidar e de não cumprir acordo. Segundo os manifestantes, havia um acerto para que os sem-terra viajassem desarmados. Nós não trouxemos as foices e as enxadas, em contrapartida, a PM também viria desarmada para as ruas, disse Maria Santiago. O centro de gerenciamento de crises da Polícia Federal pediu para que, a partir de hoje a PM esteja armada apenas com cassetetes. Às 9h30 a juíza Sandra Santos, que preside o caso, abriu a sessão para escolha dos sete jurados entre os 91 escolhidos para compor o Conselho de Sentença durante os 23 dias de julgamento. O julgamento pode ser acompanhado em tempo real pela internet pelo site do Tribunal de Justiça (www.tj.ro.gov.br). |
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