
CULTURA III
Público
jovem não se sente atraído pelas bibliotecas As colegas de sala Nadja Viera e
Edineila Ferreira, ambas com 14 anos de idade, estudam em
São Lourenço e, ao menos uma vez por mês, saem de sua
cidade para um município vizinho, Camaragibe, onde
freqüentam a biblioteca municipal do local. O que
poderia ser uma atitude heróica de jovens
adolescentes em busca do conhecimento não passa de uma
obrigação escolar que estas meninas e outros colegas
têm de copiar, do livro para os cadernos, as tarefas de
casa. Nadja, Edineila e mais um grupo de três meninas
confessam que nunca pegaram um livro na mesma biblioteca
para ler em casa, sem que isso fosse uma obrigação
escolar.
A situação é semelhante
nas demais bibliotecas públicas de Pernambuco. O
público infantil e adolescente (o que nas menores
bibliotecas corresponde a 80% dos sócios) desconhece o
universo literário camuflado nas prateleiras. O
estudante André Luis Santos, 11, foi na última
sexta-feira pela primeira vez a uma biblioteca (a de Casa
Amarela) e disse que nunca mais ia deixar de visitar o
local. Se ele não ceder ao comodismo da visita para as
pesquisas escolares, André será um dos poucos a ter a
biblioteca como um foco de entretenimento.
Para manter uma
visitação regular, as bibliotecas públicas buscam
agora promover cada vez mais oficinas, palestras e as
chamadas horas do conto com estudantes.
De vez em quando fazemos até recital de poesia
para atrair mais a atenção das pessoas, afirma
Suzana Timóteo. Outro atrativo, este que em nada tem a
ver com o estímulo à leitura, é a realização de
sessões de vídeo com filmes de locadoras dentro das
bibliotecas. Na Castelo Branco, é comum acontecer
apresentações musicais e performances poéticas em seu
salão principal. Tudo para chamar a atenção de quem
ainda não conhece o lugar, ou que conhece, mas nunca
descobriu que ele pode ser mais do que uma tarefa de
casa.
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