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CULTURA IV
Livros não vão mais até os leitores

Reciclagem foi possivelmente a palavra mais usada nos últimos dez anos quando o assunto era solução de problemas. Reciclagem de pessoal, de material, de proposta. Em 1995, a Fundação de Cultura da capital pernambucana resolveu aderir a este conceito dos anos 90 e, com ônibus velhos da Companhia de Transportes Urbanos do Recife (CTUR), ela criou a biblioteca itinerante, mais conhecida como o Ônibus Biblioteca. A proposta era colocar um acervo literário nesses automóveis que, por serem velhos demais, não podiam mais servir à frota de circulação. Dois anos mais tarde, depois do sucesso da idéia, surgiram mais dois ônibus com este propósito e, desta forma, livros chegaram ao alcance de uma população que ao menos sabia o que significava uma biblioteca. Este ano, com a privatização da CTUR, lá se foi mais uma brilhante idéia por leilões abaixo.

Segundo o gerente de manutenção da CTUR, Gervásio Tassi, na compra da empresa, a Prefeitura do Recife mandou desmanchar os ônibus e tirar todo o acervo de livros de dentro dele. “Depois disso, a única coisa que nós podíamos fazer era colocar aqueles ônibus em ferro-velho, o que nós fizemos”, explica. Ainda de acordo com ele, a idéia era continuar com o projeto, mas com o desmanche dos ônibus pela prefeitura, o projeto caiu. O acervo das bibliotecas itinerantes está temporariamente guardado numa sala da Biblioteca Municipal de Afogados, onde, segundo a professora Gilda Verri, os volumes estão sofrendo com a umidade do local e, pior, com as goteiras que surgiram nas últimas chuvas.

Gilda coordenou as atividades dos Ônibus Biblioteca e garante que a população precisa desse serviço. Mas, ao contrário do que a criatividade ditaria, os automóveis que antes serviam de centros culturais agora estão amassados entre ferros não mais recicláveis para servirem de bibliotecas.

BIBLIOTECAS DA REGIÃO METROPOLITANA

Biblioteca Pública Castelo Branco – Em frente ao Parque 13 de Maio, Santo Amaro. Fone: 423.8446
Acervo: 186 mil volumes (destaque para o acervo da Coleção Pernambucana com 10 mil títulos)
Público médio por dia: 1300 pessoas

Biblioteca Municipal de Casa Amarela – Rua Major Afonso Leal, s/n, Casa Amarela. Fone: 268.7789
Acervo: 10 mil volumes
Público médio por dia: 150 pessoas

Biblioteca Municipal de Afogados – Rua Jacira, s/n, Afogados (junto ao Tribunal de Pequenas Causas). Fone: 428.4933
Acervo: 11, 5 mil volumes
Público médio por dia: 200 pessoas

Biblioteca Municipal de Camaragibe – Av. Belmiro Correia, s/n, Centro (ao lado do Mercado Público). Fone: 458.1822 ramal 229
Acervo: 8 mil volumes
Público médio por dia: 50 pessoas

Biblioteca Municipal Joaquim Nabuco – Av. Historiador P. da Costa, s/n, Cabo. Fone: 521.9084 (o acervo e o público médio por dia da biblioteca não pôde ser apurado porque o fone do local estava conectado à Internet)

Todas as bibliotecas acima citadas precisam de doações. Na maioria dos casos, elas são deficientes em literatura brasileira e livros técnicos de terceiro grau

Curiosidades:

75% das escolas brasileiras não têm biblioteca*

Existem 3.200 bibliotecas públicas cadastradas no Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas

Existem 171 bibliotecas municipais em Pernambuco

A Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro, é referência para as demais bibliotecas do Brasil. Tem um acervo de 9 milhões de volumes e já está toda informatizada e plugada na rede (
www.bn.br)

Serviços e assessoria que a Fundação Biblioteca Nacional presta às demais bibliotecas públicas do Brasil:

Preservação de acervo
Informação documental
Microfilmagem
Intercâmbio de publicações.
Plano Nacional de Recuperação de Obras Raras- Planor : assessoria para identificação e processamento técnico de acervo antigo
Programa Nacional de Incentivo à Leitura- PROLER

*Este índice foi pesquisado em escolas de 17 estados do Brasil

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Jornal do Commercio
Recife - 15.08.2000
Terça-feira