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LIVROS
Antonio Olinto estréia em conto

O imorta da Academia Brasileira de Letras, Antonio Olinto, escolheu um novo selo – o Bluhm, da Editora Ao Livro Técnico – para lançar seu primeiro livro de contos O menino e o trem, dia 21 de agosto, na Academia Brasileira de Letras. O selo Bluhm – criado há 60 anos com obras de Alceu de Amoroso Lima, Pedro Calmon, Oscar Mendes, Afrânio Peixoto, Eduardo Frieiro e Cyro dos Anjos – renasce aberto a todas as tendências literárias de qualidade.

Sobre o novo livro de Antonio Olinto, bastaria citar o que diz na orelha Carlos Heitor Cony: “alguns dos contos são romances curtíssimos onde Olinto confirma seu domínio de linguagem, acrescentando, a partir de agora, um vigoroso contista a mais em nossa literatura”.

O selo Bluhm foi criado às vésperas da II Guerra Mundial, quando os livreiros da Europa vieram para o Brasil. Da Alemanha veio a família Bluhm, que se estabeleceu em Belo Horizonte. Em 1933, Paul Bluhm abre a primeira livraria, cujo êxito foi imediato e em pouco tempo torna-se também editor. Ajudado pelo filho Reynaldo, passa a editar sob o selo Bluhm obras de poesia, história e ensaística reunidas, a partir de 1939, na pioneira coleção Os Nossos, inaugurada com o livro de Alceu de Amoroso Lima s Três Ensaios sobre Machado de Assis.

Aa família Bluhm retoma o selo que deu origem a tudo 60 anos depois. Com O Menino e o Trem, lançam Antonio Olinto como contista . E, numa homenagem ao passado, reimprimem em fac-símile uma pequena tiragem de Três Ensaios sobre Machado de Assis, que será oferecida como brinde no lançamento do livro e do selo.

LIVRO – A travessava um túnel de palavras, e era uma delas. (...) Adorava ser pronunciada e escrita, integrava-se nos lábios de que a usava falando, espalhava-se pelo papel que a tivesse tomado, fosse através de máquina, pena ou lápis”.

Este é um trecho do conto A palavra, onde Antonio Olinto, 84 anos, dá vida ao instrumento com o qual construiu sua grande obra e com que criou, magistralmente, os personagens dos outros contos deste livro.

Ao lado de uma palavra que anseia por ser utilizada em um poema, vemos personagens que vivenciam o encontro da arte com a vida ( Mona Lisa, As duas bailarinas, O desafio), ou que apenas vivem sua triste condição humana, com as frustrações, as saudades, a procura ( As sete irmãs, O menino e o trem, Objeto cor-do-sol). E não se engane o leitor, porque, mesmo quando não é humano o personagem do conto ( O desafio, A sombra, A palavra), é do imperfeito homem e de sua arte que se trata.

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Jornal do Commercio
Recife - 15.08.2000
Terça-feira