
ARTES CÊNICAS II
Peter
Dietz mostra no Recife a dança dos improvisos por Leonardo Spinelli
O bailarino dinamarquês
Peter Dietz apresenta hoje à noite, no Teatro Barreto
Júnior, a performance solo Versão: Live.
Trata-se de um espetáculo de um estilo de balé recente,
denominado nova dança, criado em meados dos anos 70, nos
Estados Unidos, pelo bailarino Steve Paxton. É um modelo
mais livre do que a dança contemporânea, na qual a base
dos movimentos se desprendem do balé clássico e
moderno, com ênfase em linguagens tão díspares quanto
artes marciais, ioga e ginástica. É um idéia que
envolve o corpo, aberta para estímulos que acontecem no
momento da dança, explica o bailarino.
No caso desse espetáculo,
o estímulo vem em forma de música ao vivo. Dietz
convidou dois músicos pernambucanos tarimbados, para
acompanhá-lo na jornada: o flautista Sérgio Campelo e o
saxofonista Spok. É um diálogo do instrumento com
o corpo. Como a música é livre, improvisada, há a
possibilidade dele acompanhar o que nós tocamos na hora,
como nós acompanharmos seus movimentos, atesta
Sérgio Campelo. Os dois músicos e o bailarino fizeram
alguns ensaios, porém sem nenhuma marcação. Na
verdade utilizamos o tempo para nos conhecermos,
diz. A improvisação é uma das características da Nova
Dança.
Sérgio Campelo é formado
em música pela Universidade Federal da Paraíba, foi
integrante do Quarteto Romançal e é fundador e criador
artístico do grupo Sa Grama. Spok formou-se pelo Centro
Profissionalizante de Criatividade Musical do Recife, e
toca ou tocou com gente como Léo Gandelman, Fagner,
Antônio Carlos Nóbrega e outros. Na apresentação
desta noite Spok vai dar ênfase às escalas do blues,
enquanto Campelo alegou que não vai seguir uma linha
musical.
Peter Dietz iniciou o
espetáculo em Portugal, onde trabalha como performer em
três companhias de dança: Re.al Companhia, Cia Paulo
Ribeiro e Circula Ar Cia de Dança, da coreógrafa
Amélia Bentes. Veio ao Brasil por causa da namorada e
aproveita a estada para apresentar seu espetáculo, no
Recife e em Salvador também.
Talvez a sua história
revele o interesse do bailarino por uma linguagem de
dança que engloba esportes, meditação e artes
cênicas. Dietz começou jogando futebol e ginástica, e
no final da adolescência resolveu seguir o caminho das
artes marciais, principalmente o aikidô. Antes de se
enveredar pela dança, Dietz, ainda passou um tempo no
teatro. Foi para os EUA onde conheceu o papa
da improvisação, Steve Praxton. Em 1991 chega a
portugal, onde ajudou a desenvolver o que ficou definido
com Nova Dança Portuguesa.
Uma de suas especialidades
é repassar o que aprendeu, lançando mão de oficinas.
Não é diferente no Recife. Durante toda essa semana,
Peter Dietz realiza seu curso, na qual desenvolve os
conceitos para a criação de espaços e tempos, dentro
do balé contemporâneo/nova dança, denominado Spaced
Out. Na pauta, propostas de improvisação que explora a
memória corporal do bailarino, na verdade a grande
característica de seu estilo de balé. O espetáculo tem
o apoio do Minstério da Cultura Português e da
Fundação de Cultura da Cidade do Recife.
Serviço:
Teatro Barreto Júnior
Rua Estudante Jeremias Bastos, s/n, Pina. Fone:
326.4177. Espetáculo Versão: Live. Hoje às 21h.
Entrada: R$ 10 e R$ 5 (estudante). Preço da oficina: R$
15
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