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SAÚDE ESTÔMAGO: Cirurgia para reduzir o tamanho do órgão é arma contra a obesidade por
Marcelo Robalinho A funcionária pública Teila Giovanetti Tenório Fernandes é uma das poucas pessoas que diz não se preocupar tanto em perder peso, apesar de não ser magra demais (pesa 77 quilos). Até um ano atrás, porém, Teila tinha 118 kg, sendo considerada uma obesa severa, e, como a maioria dos gordos nessa situação, seu risco de mortalidade era 12 vezes maior que a população em geral. A perda de peso aconteceu depois que ela foi submetida a uma cirurgia de redução do estômago. Uma técnica que, segundo os especialistas, está sendo utilizada, cada vez mais, para resolver o problema da obesidade severa. O recurso ganhou espaço uma vez que o tratamento clínico através de dietas, atividades físicas e uso de medicamentos têm se mostrado ineficaz em 95% dos casos depois de cinco anos do emagrecimento. O objetivo da cirurgia de redução do estômago é proporcionar um controle duradouro do peso corporal, não só do ponto de vista alimentar, mas, sim, comportamental, pelo fato de a maioria dos obesos possuírem uma baixa qualidade de vida, aponta Pedro Cavalcanti, chefe do Setor de Cirurgia da Obesidade do Hospital Universitário Oswaldo Cruz (HUOC). Além de sedentários, diz Pedro, os obesos severos são compulsivos e comem inadequadamente. Para eles, a comida é como uma válvula de escape para compensar a ansiedade e a tensão do dia a dia. Por isso mesmo, a imagem negativa sobre si mesmos, em geral, é muito grande, atesta. Conforme explica Otávio Rosa Borges, médico do Hospital dos Servidores do Estado (Ipsep), a cirurgia consiste na redução de aproximadamente 80% do estômago, através de grampeamento e corte do órgão ou colocação de uma espécie de cinta para controlar a passagem do alimento. Para isso, o paciente tem que estar psicologicamente preparado para modificar o seu estilo de vida com a cirurgia. Ele tem de se conscientizar de que somente isso não resolve o seu problema, como muitos podem pensar. Considerada a doença crônica mais comum dos países desenvolvidos, a obesidade constitui atualmente um grave problema de saúde pública, conforme a Organização Mundial de Saúde (OMS). Estimativas revelam que 1,5 milhão de americanos e mais de meio milhão de brasileiros são obesos severos, também chamados de mórbidos, indivíduos que possuem índice de massa corporal (IMC) igual ou maior que 40 kg/m2. Entretanto, se a pessoa tiver um IMC maior que 35 kg/m2, associado a doenças como hipertensão arterial e dibetes melito, a operação já é aconselhada, adianta o chefe do Serviço de Cirurgia Geral do Hospital das Clínicas (HC), Edmundo Ferraz. Após a cirurgia, o paciente chega a emagrecer cerca de 40% do seu peso entre 12 e 18 meses. Uma pessoa de 150 kg que se submete a cirurgia de redução perde em torno de 60 kg, exemplifica Ferraz, que é professor do Departamento de Cirurgia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). De acordo com ele, os riscos de mortalidade com a operação variam entre 1 a 5%, dependendo das doenças pelas quais o obeso seja portador, tais como cardiopatias, acidentes vasculares cerebrais (AVCs) e a apnéia do sono (falta de ar durante o adormecimento). Porém, continuar obeso, em alguns casos, pode ser até mais perigoso que a própria operação, garante Ferraz. Em três anos, já foram realizadas, no HC, 200 cirurgias em mórbidos, através do SUS. Atualmente, outros 152 pacientes se encontram na fila de espera. Só reiniciaremos a admissão de novos pacientes para operação a partir de janeiro de 2001, informa Edmundo Ferraz. Já no Oswaldo Cruz, 50 pacientes se submeteram à cirurgia desde o ano passado, quando o programa foi implantado. Temos 89 obesos inscritos para serem operados até ágosto do próximo ano, diz o professor da UPE Pedro Cavalcanti. Serviço HC: 454.3510.
Reuniões acontecem na 2ª quarta-feira de cada mês, das
19h às 21h, no auditório do hospital |
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