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Um político que se importava com os mais pobres A trajetória política de Barbosa Lima Sobrinho teve início nos anos 30. Eleito deputado federal em 1934, perdeu o seu mandato, ironicamente, ao apoiar o golpe de 37, que instalou um governo fascista, fechando o Congresso. Em 1938, ligado politicamente a Agamenon Magalhães, assume a direção do Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA), onde permanece até a queda da ditadura, em 1945. Nas eleições gerais de 1946, com Getúlio Vargas já deposto e por indicação de Agamenon, Barbosa Lima se inscreve na chapa de deputados federais e volta a representar o seu Estado mais uma vez como constituinte, mandato que cumpriria até 1950, embora, desde os anos 20, estivesse radicado no Rio de Janeiro, trabalhando como jornalista no Jornal do Brasil. As idéias de Barbosa Lima combinavam perfeitamente com as de Agamenon Magalhães , pelo menos no que se referiam ao fortalecimento das classes trabalhadoras e isto, como costumava justificar o jornalista, explicava sua filiação ao PSD, partido dos coronéis do Agreste e do Sertão, em oposição à UDN, com os barões do açúcar, usineiros e senhores de engenho da Zona da Mata e Litoral, além da aristocracia tirada do poder pela revolução de 30. O PSD era então formado por Etelvino Lins, Osvaldo Lima, João Roma, Oscar Carneiro e, é claro, Agamenon Magalhães. A UDN tinha entre seus líderes João Cleofas, Gilberto Freyre, Cid Sampaio, Lima Cavalcanti e Pio Guerra, entre outros. O deputado Barbosa Lima Sobrinho deixaria a Câmara para concorrer ao governo de Pernambuco, novamente pelas mãos de Agamenon Magalhães. Ele travaria a mais acirrada disputa eleitoral da história do Estado, num duelo que se prolongou para além da apuração e lhe custou um ano de mandato. PERFIL O intelectual Barbosa Lima Sobrinho, líder do partido na Câmara Federal, era um parlamentar atuante e respeitado, que unia a tradição política com as idéias novas que o PSD precisava para enfrentar a UDN e a esquerda. Era sobrinho de Barbosa Lima, um homem austero que governara Pernambuco entre 1892 e 1896. Era considerado um candidato bem escolhido, embora se mantivesse ausente do Estado. Talvez até por isso mesmo, uma vez que isto o caracterizava como um homem ausente das miudezas da política paroquiana e, sobretudo, um parlamentar nacionalista e preocupado com a promoção social das camadas mais humildes. Sua plataforma já antecipava a marca nacionalista e de inclinação esquerdista que ele haveria de assumir totalmente 11 anos mais tarde (1958), ao se eleger deputado federal pela última vez, agora na legenda socialista PSB. Os pontos principais do seu programa de Governo foram: desenvolver esforços para aproveitamento da cachoeira de Paulo Afonso, visando a um programa de eletrificação rural e urbana; estudos para identificação de áreas reservadas a instalação de indústrias, além dos necessários incentivos fiscais para atrair investimentos; incentivar a mudança de práticas no campo, buscando a mecanização para ampliar a produção e agregando áreas de lavoura pelo aproveitamento de rios; colaborar com a União no sentido da fiel execução da legislação trabalhista e imediata instalação de tribunais nos municípios industrializados para a rápida solução de litígios; encampação dos serviços da Great Western para permitir a tomada de empréstimo externo visando a conservação e ampliação das linhas férreas; implantação de rodovias pavimentadas para reduzir os custos de transporte da produção e o tempo dos deslocamentos, priorizando o centro do Estado e o litoral. CAMPANHA A eleição aconteceu em 19 de fevereiro de 1947 em clima de calma, apesar da campanha acirrada que a antecedeu. Ao final, Barbosa Lima venceu pela margem mínima de 565 votos em relação ao segundo candidato, Neto Campelo. Dezenas de urnas foram impugnadas, dando margem a uma longa batalha judicial, que se arrastou por um ano, quando finalmente ele tomou posse em 14 de fevereiro de 1948, perdendo um quarto do seu mandato. Barbosa Lima Sobrinho governou até 1951, compondo um secretariado ortodoxo, exceto pela pasta da Fazenda, para onde nomeou um então obscuro iniciante na política pernambucana, o jovem bacharel Miguel Arraes de Alencar. No campo administrativo fez um governo com poucas obras de porte, mas com uma clara preocupação com os menos favorecidos, sobretudo nos campos da Saúde e Educação. Ao deixar o governo, Barbosa Lima regressou ao Rio de Janeiro, onde voltou ao jornalismo, reassumiu sua cadeira na Academia Brasileira de Letras e ocupou um cargo de procurador do então Distrito Federal. Em 1958, já alinhado à esquerda, consegue outro mandato federal. Em 1962, convocado para nova disputa eleitoral, é derrotado para o senado. Os pernambucanos escolheram José Ermírio de Moraes e F. Pessoa de Queiroz. Barbosa Lima retira-se, então, das atividades políticas. |
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