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Lições do mestre na arte política ainda são atuais

Independente da matiz ideológica, tanto quanto jornalista, político ou acadêmico, Barbosa Lima Sobrinho, impunha, pela sua altivez e firmeza de posições. Durante as comorações do seu centenário, em 1997, as personalidades mais influentes da vida brasileira já ressaltavam as suuas virtudes. As mesmas vozes voltaram a se univer para ressaltar a grande perda que foi a morte do mais nacionalista dos brasileiros.

Embora tenham convivido pouco como acadêmicos, o escritor e ex-secretário da Cultura, Ariano Suassuna, comungava com os ideáis de defesa e soberania econômica do Brasil. “Até o dia de hoje, só compareci a duas sessões na Academia Brasileira de Letras: a da minha posse e a da comemoração dos 100 anos de Barbosa Lima Sobrinho. Para esta última fui em companhia do então Governador Miguel Arraes: ambos éramos admiradores do grande brasileiro, sempre intransigente na defesa do patrimônio nacional e na luta contra o entreguismo, que está acabando até com a simples altivez sem a qual nenhum Povo pode sobreviver”, declarou.

O ex-governador Miguel Arraes, inclusive, tem em conta a importância de Barbosa Lima Sobrinho para sua vida política. “Perco um amigo, alguém determinante em minha vida, e o Brasil perde uma das grandes figuras desse século. É difícil encontrar alguém com a firmeza de posição de Barbosa Lima. Com o tempo, suas convicções foram acentuadas, ao contrário de outros que com o tempo vão mudando de posição. Era uma pessoa voltada para os interesses sociais. Até no dia de morrer, ele escreveu em defesa das causas de nossa pátria, disse o ex-governador e presidente nacional do PSB. Arraes teve sua primeira grande chance na vida pública quando foi escolhido pelo então governador Barbosa Lima Sobrinho para ocupar a Secretaria da Fazenda.

Em espectro político oposto a Arraes, o vice-presidente da República, Marco Maciel também nutria grande respeito pelo ex-governador e imortal da ABL. “Barbosa Lima Sobrinho, conterrâneo, a quem desde cedo aprendi a admirar, marcou sua extensa e sobretudo intensa vida por uma coerente conduta nas diferentes atividades que desempenhou: na política, no jornalismo e como escritor. Seu desaparecimento nos deixa, ao lado de uma vasta contribuição intelectual, o exemplo de uma conduta marcada por princípios éticos”, ressaltou.

De uma geração mais nova, o governador Jarbas Vasconcelos, por sua vez, destaca-o entre os seus antecessores. “Ele foi um dos brasileiros de maior destaque do século XX, e um presente que Pernambuco deu para o Brasil. Foi um dos maiores governadores pernambucanos. Nunca esqueceu seu Estado, referindo-se a ele em livros e artigos. Como articulista, sempre foi uma voz lúcida na análise dos problemas brasileiros e na defesa dos mais carentes, sua preocupação constante até a morte. Nunca deixou de lutar pela liberdade, pela justiça social e de posicionar-se contra qualquer forma de opressão”.

Para o prefeito Roberto Magalhães, “Barbosa Lima Sobrinho foi um exemplo de vida, do ponto de vista pessoal e do ponto de vista profissional. Como escritor, jornalista, parlamentar e governador de Estado. Ressalte-se, também, a bravura e a coerência com que sempre defendeu as suas idéias e o inexcedível zelo pela soberania do País e pela salvaguarda dos interesses do povo brasileiro”.

O ministro Marcos Vinícios Vilaça guarda uma memória intimista daquele que foi o primeiro governador que ele viu. “Quando eu ainda usava calças curtas, em Limoeiro”, relembra, “Barbosa Lima Sobrinho ia visitar o meu pai e travar longas conversas sobre política”. O tempo passou e eles voltaram a se encontrar nas tardes da Academia Brasileira de Letras. “O que ficava sempre claro era o seu amor por Pernambuco. Era o tema preferido de suas conversas, fosse para perguntar sobre o Náutico, time para o qual ambos torcemos, fosse para saber amigos, como o ‘velho’ Armando Monteiro, como ele chamava”, diz.

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Jornal do Commercio
Recife - 28.07.2000
Sexta-feira