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COMPORTAMENTO III No cinema, são poucas as produções sobre o tema por Marcos Toledo A co-produção ítalo-francesa A Gaiola das Loucas (1978) pode ser considerada o marco da abordagem casal homossexual com filhos, no cinema. Contudo, o filme não alentou muitas outras obras sobre o mesmo tema. Ao que parece, a Sétima Arte, tida como um dos principais movimentos de vanguarda do século, sofre do mesmo preconceito que se reflete na sociedade. Somente nos últimos três anos o assunto voltou à cena (literalmente), em títulos como Tudo Sobre Minha Mãe (1999), Sobrou Pra Você (2000) e, de passagem, Beleza Americana (1999). Na clássica comédia de Edouard Molinaro, os astros Ugo Tognazzi e Michel Serrault vivem o casal homossexual em questão. Um deles, é pai de um rapaz heterossexual que, às vésperas do casamento, pede aos dois pais que se comportem na apresentação formal aos pais da noiva. O tema é tratado com humor, minimizando o drama de quem viveria a situação na vida real sobretudo há 22 anos. A Gaiola das Loucas rendeu mais duas seqüências (em 1980 e 1985) e uma refilmagem norte-americana, em 1996, com Robin Williams. A paternidade homossexual no cinema adquiriu um pouco mais de seriedade nos dois últimos anos. Beleza Americana, de Sam Mendes, filme que faz uma crítica mordaz à sociedade norte-americana, trata do tema quando revela a tendência homossexual de um ex-fuzileiro metido a machão. A associação do fato aos problemas do personagem com a esposa e o filho é apenas sugerida. O recado mais forte e, ao mesmo tempo, mais surreal fica por conta de Tudo Sobre Minha Mãe, de Pedro Almodóvar. O espanhol carrega na dramaticidade latina, e conta a história de uma mulher à procura do ex-amante travesti, pai do único filho dela, recém-falecido em um acidente. Lá, ela descobre que Lola engravidara outra jovem, que se descobre soropositiva. A protagonista, no entanto, jamais revelara a verdade ao filho ou ao pai. Este ano, a polêmica rendeu mais um filme, mas sem muito poder de fogo. Em Sobrou Pra Você, de John Schlesinger, a cantora Madonna revela ao amigo gay (Rupert Everett) haver engravidado na única noite em quem teria dormido com ele. O casal passa a viver junto, e cria o garoto até o ápice insosso, quando a mãe revela que havia mentido sobre a paternidade. Definitivamente, um tema a ser ainda melhor explorado. |
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