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COMPORTAMENTO IV Como ficam as crianças da geração DNA por Virginia Honse Fruto das trapaças da paixão, a geração do DNA nasce de amores acidentais, mas, em muitos casos, é formada por filhos amados pelos pais como se tivessem sido arduamente planejados. É o caso de Carolina, 4 anos, filha do ex-jogador de futebol Renato Gaúcho e da jornalista Carla Cavalcanti. Apesar de ter se tornado oficialmente pai após um teste de DNA, ele revelou-se um verdadeiro e apaixonado paizão. Eu vivo para a Carolina. Minha filha não mora comigo, mas eu a vejo diariamente, e ela se tornou muito amiga da minha mulher, Maristela. As duas se falam ao telefone praticamente todos os dias, conta. O fato de Carolina ser filha de outro relacionamento e ter sido reconhecida depois do exame de DNA não impediu, segundo ele, que surgisse um bom relacionamento afetivo entre pai, filha e madrasta. Para a minha filha não falta e não faltará nada jamais, muito menos amor e carinho. Quando a Carla engravidou, eu decidi assumir a criança, e hoje a minha mulher também adora a Carolina, garante Renato Gaúcho. O psicanalista Celso Irineu Rubman lembra que a questão do DNA é jurídica e evolui de uma maneira mais ou menos satisfatória para uma situação afetiva. O pai que assume a criança a partir do DNA passa inicialmente por uma crise, mas poderá vir a ser um pai de verdade se elaborar a sua nova realidade e a sua nova condição, da qual não tem como fugir. Ao assumir a criança com maturidade, o pai deixa de ser simplesmente biológico para ser um pai social. Essa nova realidade se construirá gradativamente, não necessariamente pela quantidade de encontros, mas pela qualidade desses encontros. O casal tradicional não é o único modelo de felicidade. Ela virá a partir do momento em que os pais assumirem a criança, independentemente de estarem ou não juntos. PERSEVERANÇA Em Niterói, Paulo Henrique Xavier Cordeiro, 21, filho do vereador Paulo Henrique da Silva Oliveira (PMDB), é o autor da ação de investigação de paternidade contra o próprio pai. O processo foi reaberto há três anos pelo rapaz, com a inclusão do pedido de um exame de DNA. A primeira ação foi aberta em 1983, pela mãe, Vera Lúcia de Carvalho Campos, que não conseguiu comprovar a paternidade. Agora, o teste deu resultado positivo. O vereador é mesmo pai de Alexandre e será obrigado a registrá-lo. Quero ter o nome do meu pai nos meus documentos. Luto pelos meus direitos porque não acho justo deixá-los passar em branco e também para dar exemplo a outras pessoas. Todos os filhos em uma situação como a minha deveriam pensar e agir assim. Meu pai é casado, tem um filho, vive dizendo que vai me reconhecer, mas a promessa já tem 21 anos, comenta o rapaz. O resultado do teste de DNA ficou pronto em abril. O exame foi feito, gratuitamente, no Laboratório Sonda, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Ainda assim, Paulo Henrique não registrou o filho, com quem convive desde criança. Ele queria um novo exame de DNA, mas, agora, diz que mudou de idéia. Eu estou tentando resolver as coisas com o meu filho. É uma questão de pai e filho. Não me recusei a fazer o primeiro exame, pensei em exigir um outro, mas já mudei de idéia. Farei o que a lei mandar. Há épocas na vida da gente que o coração fala mais alto, diz o vereador. Já o cantor de pagode Waguinho, ex-integrante do grupo Os Morenos, dispensou o teste de DNA para registrar Stephanie, de 6 meses, filha da modelo Solange Gomes. Waguinho diz ter dispensado o teste por acreditar na palavra da mãe. Solange, porém, reclama que ele só fez o primeiro depósito da pensão alimentícia no início do mês, dois dias antes de lançar o seu primeiro CD solo. Eu não tenho tido muito tempo para ver a menina porque estou com muitos compromissos, em função do lançamento do disco. Mas, na medida do possível, quero manter um bom relacionamento com Stephanie. Ultimamente, porém, não tenho visto nem os meus outros dois filhos (Joyce, de 10 anos, e Júnior, de 2), de casamentos já desfeitos, lamenta Waguinho. |
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