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SAÚDE Falha no controle do colesterol Agência Globo Cardiologistas brasileiros não seguem as recomendações para o controle do colesterol no sangue. Uma pesquisa realizada com 746 cardiologistas, divulgada por médicos dos departamentos de Aterosclerose e de Cardiologia Clínica da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), mostra que a maioria (87%) reconhece a importância da manutenção de níveis adequados de gorduras (lipídios) na prevenção da aterosclerose, mas apenas 35% conhecem as metas para o HDL (o bom colesterol), que deve ser acima de 35 miligramas por decilitro (mg/dl). Este foi um dos temas discutidos no Congresso da SBC, realizado no Rio de Janeiro. Segundo o médico Raul Santos, dos departamentos de Aterosclerose e de Cardiologia Clínica da SBC, muitos cardiologistas não respeitam as normas do II Consenso Brasileiro sobre Dislipidemias. Apenas 56% seguem a orientação de que o LDL (o mau colesterol) deve ser abaixo de 100mg/dl para pacientes diabéticos e pessoas que apresentam história familiar de aterosclerose e doença coronariana. Somente 33% responderam que tratariam os pacientes por tempo indeterminado. E se as taxas de lipídios não fossem alcançadas, apenas 35,5% aumentariam a dose e 29,4% trocariam o medicamento para baixar o colesterol. O médico Emilio Moriguchi, presidente do Departamento de Aterosclerose da SBC e professor da PUC-RS, está preocupado com a falta de conhecimento dos médicos sobre o controle do colesterol. Na semana passada, ele participou, em São Paulo, de uma reunião com outros especialistas em aterosclerose e revelou que em 2001 será publicado um novo documento com as diretrizes brasileiras sobre as dislipidemias (alterações dos níveis de gorduras no sangue). Muitos médicos não seguem o que está escrito no II Consenso Brasileiro de Dislipidemias, de 1996, diz Moriguchi, do Centro Colaborador da OMS/OPAS para Prevenção de Patologias e de Doenças Crônico-Degenerativas Associadas ao Envelhecimento. Ele explica que todas as pessoas acima de 20 anos devem medir seus níveis de colesterol pelo menos uma vez. E crianças e adolescentes com história familiar de doenças isquêmicas do coração, como infarto, morte súbita e angina precoce (antes dos 55 anos no pai e dos 65 anos na mãe) também devem fazer o exame. Se estes valores forem normais, a dosagem deve ser repetida a cada cinco anos. Caso estejam alterados, o médico pode orientar mudanças no estilo de vida, investigar causas secundárias e, até, indicar tratamentos específicos. Moriguchi acrescenta que os medicamentos para baixar o excesso de colesterol devem ser receitados para pessoas com altos níveis, que apresentam maior risco para doenças cardiovasculares e não respondem satisfatoriamente a dietas e à atividade física. Uma vez iniciado o tratamento para baixar o colesterol, ele deve ser permanente, como ocorre no controle da hipertensão arterial. Porque, se for interrompido, os níveis de colesterol voltam a subir, alerta o médico. AVANÇO Segundo o cardiologista, as estatinas são drogas mais potentes e seguras, atualmente, para baixar os níveis de colesterol no sangue. Elas inibem a síntese da substância no fígado e aumentam o número de receptores de LDL neste órgão, diminuindo o colesterol na circulação. Esse tipo de medicamento tem pouquíssimos efeitos colaterais. No futuro, a prevenção e o tratamento da aterosclerose podem ser mais simples. Já existem alguns estudos sobre vacinas para inibir uma proteína associada à substância. Moriguchi lembra que o controle do colesterol é especialmente importante em pessoas que já sofreram infarto, porque pode evitar uma possível cirurgia. Vários estudos de grande escala revelam que a redução dos níveis de colesterol em pessoas que já sofreram infarto podem reduzir as possibilidades destas pessoas precisarem de cirurgias de revascularização, como ponte de safena e angioplastia. Para orientar os cardiologistas sobre as normas para os tratamentos das dislipidemias, foi criado um programa de educação médica continuada, chamado ATUA 2000, com o apoio da indústria farmacêutica. Mais de 900 médicos já receberam treinamento e participaram da discussões interativas de casos clínicos. |
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