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MERCADO
Pólo tecnológico do Recife cresce, mas elimina os funcionários fixos

por Ana Luiza Aguiar
analuiza@jc.com.br

Engana-se quem pensa que a Era Digital está provocando uma revolução apenas tecnológica. O novo cenário também causa profundas alterações nas relações de trabalho, principalmente em seu aspecto jurídico. Não são só novas profissões que estão sendo criadas; são novos conceitos e variações para uma palavra que até pouco tempo atrás era facilmente definida: emprego. Uma das formas de trabalho que ganha cada vez mais adeptos no mercado digital do Recife é a cooperativa.

Apesar de não ser algo inovador para as profissões mais tradicionais, as cooperativas de informática são recentes – a mais antiga tem cinco anos – e estão se consolidando como a principal forma de “contratação” de serviços do pólo tecnológico de Pernambuco. Hoje praticamente todas as empresas adotam a cooperativa.

Normalmente vista como uma forma de burlar as leis trabalhistas, a cooperativa é defendida pelos donos das empresas como sendo uma forma legal de reduzir os gastos. “É muito caro contratar uma equipe só para desenvolver ou instalar um sistema e demiti-la alguns meses depois”, afirma o gerente de uma pequena empresa de software que prefere não se identificar. Ele assegura que o cooperado não sai em desvantagem porque, apesar de não ter direito a décimo-terceiro e férias, por exemplo, ele recebe mais do que um funcinário da empresa.

A opção pela contratação de cooperativas é uma alternativa também de empreendimentos grandes. O Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (Cesar), apesar de ser uma sociedade civil sem fins lucrativos, tem só dois empregados oficiais: o office-boy e a copeira.

“Diminuimos o esforço administrativo dentro do César, já que são as próprias cooperativas que se reponsabilizam por seguro de saúde, planos de previdência e similares. Também pesou a diminuição do risco de processos trabalhistas”, justifica o gerente de infra-estrutura do Cesar, Carlos Cordeiro. “Mas fazemos questão de pagar a mais todos os benefícios que o cooperado teria se fosse contratado de forma usual”, assegura.

Para o programador Ricardo Souza, o salário maior não compensa. Ele faz parte da Coperativa de Informática (Infoco), a maior do Estado, e trabalha há um ano na Mundi Multimídia. “Apesar de receber mais, sinto falta de ter direito a férias, ao invés de ter que negociar folgas. Também não temos estabilidade”, reclama. Ele disse que só está na cooperativa porque as empresas de informática não estão contratando de outra forma.

O gerente comercial da Infoco, Ricardo Barbosa, discorda de Souza. “Há vantagens como o fato de você poder determinar quando quer trabalhar e fazendo o quê. E, se a pessoa for organizada, pode separar parte do que ganha para simular um 13º e o adicional de férias”, argumenta.

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Jornal do Commercio
Recife - 09.08.2000
Quarta-feira