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ACIDENTE
Submarino russo no fundo do mar

MOSCOU – Um dos maiores submarinos nucleares da Rússia, com 107 pessoas a bordo, continuava preso ontem no fundo mar, nas proximidades do Círculo Polar Ártico, e a Marinha admitiu que as chances de resgate da tripulação são pequenas. O comandante, almirante Vladimir Kuroyedov, afirmou que aparentemente o submarino sofreu uma grande colisão e ficou seriamente danificado.

Apesar de todos os esforços que estão sendo feitos, a probabilidade de termos um final bem sucedido com o Kursk não é muito alta, disse o almirante, segundo a agência de notícias russas ITAR-Tass.

Equipes de resgate conseguiram chegar até o local e colocaram um artefato na escotilha de resgate para abastecer o Kursk de oxigênio. O submarino baixou no fundo do mar de Barents no domingo enquanto participava de uma grande manobra naval nas proximidades da costa norte russa.

A Marinha iniciou uma operação de resgate da qual tomam parte três submarinos e vários navios, em uma ação para suprir a necessidade de oxigênio e eletricidade da embarcação e resgatar os oficiais a bordo, que correm risco de morte.

Um jornalista norueguês disse que o Kursk estava a cerca de 150 metros, uma profundidade na qual é muito difícil resgatar qualquer pessoa em vista da grande pressão da água.

Kuroyedov também afirmou que aparentemente o submarino sofreu sérios danos depois de colidir com outro objeto, mas não deu mais detalhes. “Há sinais de uma grande e séria colisão”, disse ele.

Mas, segundo a agência russa Itar-Tass, militares russos apontaram como causa mais provável do naufrágio uma colisão com um submarino estrangeiro. “Provavelmente esse outro submarino também sofreu danos e não está muito distante do Kursk”, afirmou à Itar-Tass um representante da frota russa.

Submarinos russos e ocidentais freqüentemente brincam de gato e rato na região e já chegaram a se tocar no passado. O Kursk participava de um grande exercício naval, que estava sendo atentamente monitorado por navios norte-americanos e de outros países ocidentais. Os Estados Unidos negaram qualquer envolvimento de um submarino seu com o russo.

Se o submarino se envolveu numa colisão que perfurou seu casco pode haver o perigo de um vazamento radioativo. Oficiais da Marinha haviam dito que estavam em contato por rádio com a tripulação do submarino. Mais tarde, admitiram haver apenas contato acústico. Isto significa que a tripulação batia no casco do submarino passando mensagens em código Morse.

Embarcações de resgate estavam na região tentando ajudar o submarino avariado. De acordo com a imprensa russa, a decisão sobre qual medida de resgate seria adotada deveria ser tomada apenas hoje. Uma equipe de projetistas de navios foi levada ao local para sugerir opções de resgate.

Anteriormente, o porta-voz da Marinha Igor Dygalo disse que o submarino da classe Oscar não estava carregando armas nucleares e não havia perigo imediato de vazamento de radiação ou de uma explosão. “Os dois reatores nucleares da embarcação foram desligados”, acrescentou ele.

A rede de televisão NTV, citando fontes não identificadas, divulgou que a água invadiu os tubos de torpedos do submarino durante um exercício de tiro e a frente da embarcação havia sido inundada.

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Jornal do Commercio
Recife - 15.08.2000
Terça-feira